Segunda-feira, 24 de Fevereiro de 2014

Marcelo do PSD era para não ir ao congresso mas de repente virou o cavalo e foi ao congresso  "Fui porque era uma oportunidade histórica, porque estive na fundação deste partido".

Razões não faltavam para ir, por que ainda vai ser candidato à cabeça do touro, ou seja a Belém que é um lugar apetecível.

Marcelo deu uma lição de provincianismo aos seus adeptos e algumas piadas.

O congresso foi acima de tudo um congresso de "gozo" com o povo português que está a passar mal com este governo, mas os seus potenciários afirmam que está tudo bem que o país se recomenda, mas as pessoas existem, mas não contam para o campeonato.

Como se os os habitantes deste rectângulo, sofressem todos de mongolismo e todos fossemos atrasados e não víssemos que este governo nos leva para o abismo.

Era caso para fazer o mesmo a este governo, irmos todos para o Rossio não sairmos de lá até o governo se demitisse, como fizeram os ucranianos ao seu governo, por que razões não faltam, talvez a CEE nos desse apoio também.

 

 

 

 



publicado por uon às 15:08 | link do post

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El Sindicato de Oficios Varios de la CNT de Oviedo, reunido en Asamblea General, desea manifestar lo siguiente ante todo el movimiento libertario.

 

 Que la CNT evolucione con los tiempos a medida que incorpora nuevas generaciones de afiliad@s y militantes, no sólo es una posibilidad, sino más bien una necesidad inexcusable y perentoria.

 

Sin embargo, queremos una organización que cambie para adquirir mayores cotas de democracia directa y horizontalismo, que es lo que pensamos sirve de verdad a la clase trabajadora; y no para transmutarse en un remedo de las organizaciones sindicales y políticas al uso, verticalistas, jerarquizadas, burocratizadas y altamente normatizadas.

 

Y al expresarnos así, no pretendemos contender con nadie, ni ejercer de oposición de nadie, ni criticar el modo de proceder particular de nadie.

 

Lo que queremos es una CNT anarcosindicalista, una CNT que no sacrifique sus principios, tácticas y finalidades, su esencia y su carácter, a eventuales apremios de eficacia y modernidad; es decir, que no esté sometida a constantes procedimientos de agilidad y urgencia por cuestiones de “utilidad”, o para no “quedarse descolgada” del “foco mediático”.

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http://oviedo.cnt.es/2014/02/24/manifiesto-de-oviedo-la-cnt-que-queremos/



publicado por uon às 13:38 | link do post

Sábado, 22 de Fevereiro de 2014

Na abertura do Congresso do PSD, o líder do partido e do Governo sustentou que "o país está melhor", acusando a oposição de não o admitir por isso poder ser a sua desgraça eleitoral.

Portugal mal se conhece, veja-se o pano de fundo congresso que o nome "Portugal" parece um rabisco e está a desaparecer do mapa.

Quanto ao "está melhor" é uma ficção dizer que estamos melhor, se estamos a caminhar a passos largos para o abismo e só o governo é que diz que "estamos melhor" se toda a gente sente que isto está pior.

Nem é preciso um médico para fazer uma análise ao país, que toda a gente sente que estamos pior.

Quanto a "desgraça eleitoral da oposição" só se o povo português estiver todo bêbado e não vir que está a ser ludibriado por charlatães e burlões é que renova o voto no governo.

 



publicado por uon às 16:44 | link do post

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Comunicado sobre a situação na Ucrânia (19/2/2014)

A guerra civil começou ontem na Ucrânia. Uma manifestação um pouco menos pacífica entrou em confronto com as forças de defesa do Estado e com grupos formados pelos adeptos do actual governo, junto da Vekhovna Rada (Parlamento). No dia 18 de Fevereiro, a polícia, juntamente com os paramilitares, provocou um banho de sangue nalguns bairros durante o qual numerosos manifestantes foram mortos. Os carrascos das divisões especiais acabavam com os detidos . Os deputados do partido das Regiões, no poder, e dos seus lacaios burgueses do Partido “Comunista” da Ucrânia fugiram do Parlamento através de um túnel subterrâneo. A votação de emendas constitucionais, que visam limitar o poder presidencial , não se realizaram depois disso. Depois de vencidos nos bairros, os manifestantes retiraram-se para a Praça  Maidan . Às 06:00H , o Ministério dos Assuntos Internos e a Secretaria de Segurança Interna (SBU) fizeram um ultimato aos manifestantes, exigindo a sua retirada. Às 20:00 ,as forças especiais da polícia e paramilitares , equipados com canhões de água e veículos blindados , iniciaram a sua incursão em direcção às barricadas . A polícia, as divisões especiais da SBU, bem como as tropas pró- governamentais fizeram uso das armas de fogo. No entanto, os manifestantes conseguiram incendiar um dos veículos blindados da polícia  e descobriu-se que as forças governamentais não eram os únicos na posse de armas. De acordo com os dados divulgados pela polícia (a 19 de  Fevereiro, pelas 16:00H ), 24 pessoas foram mortas : 14 manifestantes e 10 policias. Trinta e um policias receberam ferimentos de bala . Mesmo que a estimativa de perdas do lado da polícia possa ser correcta, o número de vítimas entre os manifestantes foi claramente maior. Médicos presentes na Praça Maidan falam de, pelo menos, 30 mortos.

Tem-se a impressão de que o presidente Yanukovich estava convencido  de que, pela manhã, a resistência estaria esmagada e assim marcou um encontro com os líderes da oposição para as 11 horas do dia 19 de Fevereiro. Como as negociações não aconteceram, podemos concluir que o plano do governo falhou. Enquanto decorria a operação mal sucedida para despejar a Praça Maidan , os cidadãos de várias regiões ocidentais ocuparam prédios da administração e correram com a polícia. Neste momento, a polícia, como instituição, não existe em L’ viv . De acordo com a SBU , os manifestantes capturaram 1.500 armas de fogo. Em menos de 24 horas o governo central perdeu o controle sobre uma parte do país. Neste momento, a única solução para Yanukovich pode ser a do abandono do cargo de presidente, embora isso significasse para ele, para a sua família e para os seus múltiplos acólitos e dependentes, que formam um grupo bastante numeroso no actual governo, a perda da sua fonte de lucros. É provável que eles não estejam dispostos a aceitar isso.

Em caso de vitória de Yanukovich , ele tornar-se-á um governante vitalício e o resto da população estará condenada a uma vida em que terão de fazer face à pobreza, à corrupção, e ao fim dos seus direitos e liberdades. As regiões rebeldes estão agora e a experimentar restaurações maciças da “ordem constitucional” . Não é improvável que a supressão de tais “grupos terroristas” na Galicia assuma o carácter de limpeza étnica. Os coléricos ortodoxos radicais do Partido das Regiões vêem, desde há muito, os conservadores Greco-católicos como apoiantes da ” Euro-sodoma”. Tal operação ” antiterrorista ” poderia ser realizada com a ajuda do exército, como o Ministro da Defesa , Lebedev , já anunciou .

Hoje, a Ucrânia enfrenta uma tragédia, mas o verdadeiro horror vai começar se o governo derrotar a oposição e “estabilizar” a situação. Sinais da preparação de uma operação de limpeza em massa tornaram-se perceptíveis, já no início de Fevereiro, quando foram abertos processos criminais contra as divisões de autodefesa da Praça Maidan, enquanto formações militares ilegais. De acordo com o artigo 260 do Código Criminal , os membros dessas divisões podem enfrentar penas de prisão de 2 a 15 anos. Isso significa que o governo estaria a planear colocar mais de 10 mil cidadãos atrás das grades. Nas regiões, bem como na capital, “divisões de morte” especiais estão a agir como um complemento das forças policiais habituais. Por exemplo, a responsabilidade por terem queimado vivo um activista de Zaporozhye na Praça Maiden foi reivindicada por uma “divisão de morte” autodenominada “Ghosts Sebastopol”. Anunciaram também que que estão dispostos a infligir aos participantes do Leste no Maidan um tratamento similar.

No caso da oposição vencer a situação estaria também longe de ficar perfeita. Embora os fascistas sejam a minoria dos manifestantes, eles são bastante activos e não são os mais espertos. Os poucos dias de trégua em meados de Fevereiro provocaram conflitos entre os vários grupos de direita, de que resultaram confrontos inúteis e violentos , assim como ataques aos “heréticos” ideológicos . Para além dos fascistas, velhos e experientes oposicionistas vão também tentar tomar o poder. Muitos deles já têm alguma experiência de trabalho no governo e a corrupção, o favorecimento, bem como a utilização de recursos orçamentários para fins pessoais, não lhes são estranhos.

As “concessões” que a oposição está agora a exigir do Parlamento são lamentáveis. Mesmo a Constituição de 2004, que estão a tentar restaurar, dá muitos poderes ao Presidente (o controle sobre a polícia de choque e as forças especiais é um exemplo) e o sistema eleitoral proporcional, com listas fechadas, coloca o parlamento sob o controle de um grupo de ditadores-líderes, que podem ser contados pelos dedos duma mão. Juntamente com o presidente podem governar sem obstruções.

A sua segunda reivindicação – a nomeação de um Governo integrado pelos líderes de oposição – é uma verdadeira vergonha. As pessoas estão a arriscar a sua integridade física, a liberdade e a vida para que alguém se torne primeiro-ministro e para que alguém mais tenha a oportunidade de se aproveitar do fluxo de dinheiro corrupto? Esta é a saída lógica para quem prefere conversas cheias de compaixão relativamente “à nação”, mas se organiza em estruturas verticais ligadas aos políticos odiados, em vez de criarem organizações de base em torno dos interesses financeiros e materiais. Esta é a principal lição que Maidan ainda está a aprender. Contudo, só seremos capazes de aprender na prática esta lição se o actual governo perder a batalha.

A oposição, dentro e fora do Parlamento, está dividida em múltiplas e hostis facções concorrentes. Se vencer, o governo que se seguir será instável e sem coerência interna. Será burguês e repressivo como foi com o  Partido das Regiões antes da sua primeira demonstração de força, em Novembro, contra os manifestantes.

A culpa pelo sangue derramado é também parcialmente da União Europeia, que de bom grado recebe dinheiro de canalhas corruptos da Ucrânia, Rússia e vários países africanos, ao mesmo tempo que, negligentemente, não verifica a fonte de tais “investimentos”. Só depois de ver os cadáveres das vitimas de tais “investidores” é que fica tão sentimental e tão cheia de compaixão humanitária.

Esta guerra não é nossa, mas a vitória do governo significará a derrota dos trabalhadores. A vitória da oposição também não promete nada de bom. Nós não podemos apelar ao proletariado para que se sacrifique a favor da Oposição e dos seus interesses. Pensamos que o grau de participação neste conflito tem que ser uma questão de escolha pessoal. No entanto, nós encorajamos todos a evitarem serem convocados para servirem nas forças militares internas controladas por Yanukovich  e a sabotarem, por todos os meios, as acções do governo. (tradução: Portal Anarquista)

Nem deuses, nem senhores, nem nações , nem fronteiras !

Organização Autónoma de Trabalhadores – Kiev

aqui: http://avtonomia.net/2014/02/19/zayavlenie-ast-kiev-o-situatsii-v-ukraine/



publicado por uon às 15:49 | link do post

A coligação de centro direita que governa a Islândia decidiu retirar o pedido de adesão à União Europeia (UE), uma vez que as negociações com Bruxelas estão suspensas há cerca de um ano e convocar um referendo.

Esta tomada de posição é no minimo inteligente.

Numa altura que a CEE/UE passa problemas no seu seio:desemprego, repressão politica económica e social e cada vez mais são os extremistas da da extrema direita que governa a CEE e os países que a compõem, estar e enfiar-se e jogar-se no abismo.

Em Portugal devia ter sido convocado um referendo politico de adesão a CEE e ao euro que era no mínimo o que se desejava.

Foi tudo feito às três pancadas sem dar cavaco a ninguém, resultado é este que temos.

Já agora para completar o ramalhete deviam referendar a NATO pois também não fomos ouvidos nem achados e pode ser tudo no mesmo dia.



publicado por uon às 15:21 | link do post

Sexta-feira, 21 de Fevereiro de 2014

Se os acontecimentos na Ucrânia prenunciam algum futuro bizarro, eles não são menos sintomáticos da manifestação de uma velha tendência para os regimes democráticos contemporâneos adoptarem mecanismos usados e abusados pelos regimes fascistas.

Kiev a ferro e fogo faz-nos colocar uma questão que não é nova: em que raio de regime autoritário, autocrático e centralizado na figura de um líder se converteu a democracia contemporânea?

O presidente Ianoukovitch fundamenta a sua repressão policial-militar com base num velhíssimo argumento ‘democrático’: “fui eleito democraticamente, por isso apenas o meu poder representa de um modo legal a vontade popular; a resistência violenta a este meu poder legítimo é portanto ilegítima e ‘terrorista’; em nome da democracia ela deve ser reprimida; e só assim a democracia será salva”.

Esta concepção de ‘democracia’ vigora em praticamente todas as nações do mundo, e não apenas na Ucrânia do democrata Ianoukovitch. A onda de bastonadas que, há uns meses atrás, varreu brutalmente todos aqueles que se manifestavam em frente ao Parlamento português insere-se precisamente na mesma concepção de democracia. Hoje, um pouco por toda a parte, é em nome da democracia que o poder gestionário reprime a dissonância e esmaga a alteridade. Se, nalguma parte do mundo, as autoridades agridem ou matam o povo que se fartou da fome ou da corrupção, fazem-no para salvar a democracia.

E é por isto que os acontecimentos na Ucrânia, mais do que anunciarem algum futuro difícil de imaginar, reproduzem uma velha normalidade que vigora desde há muito: as democracias gerem a vida das populações com mão de ferro. A Ucrânia é por isso, hoje, o melhor lugar do mundo para perspectivarmos e reflectirmos sobre o regime político que desde há décadas nos governa.

O grande argumento que os defensores dos regimes democráticos contemporâneos usam para legitimar o seu poder é bem conhecido: a democracia deve vigorar não de um modo ocasional ou circunstancial, mas segundo princípios permanentes de legalidade; e são as eleições (e apenas elas) que garantem a existência desses princípios. Neste quadro, o voto secreto e pacífico torna-se sagrado: só ele pode determinar a rotina democrática. Por antítese ao voto silencioso, as ruidosas manifestações de rua (perturbando gravemente o funcionamento desses princípios permanentes de legalidade, ao questionarem os poderes democraticamente eleitos) convertem-se no terror das democracias contemporâneas. Aos olhos destes regimes, quem sai à rua para se manifestar é, em potência, um terrorista. Pelo que, se as suas manifestações gerarem adesão popular, colocando a ‘ordem democrática’ em risco, deverão ser brutalmente reprimidas, sob o argumento da defesa da… democracia.

As democracias contemporâneas reproduzem assim a essência dos fascismos do século passado: a perpetuação de poderes absolutos, separados das vidas das populações, as quais são por aqueles geridas enquanto contribuintes de um sistema que não lhes traz nada, mas que lhes leva tudo. Pelo que, na Ucrânia, não se vive hoje mais do que o enésimo capítulo da velha história da sobrevivência da democracia enquanto regime radicalmente separado do povo.

foto de Anatolii Stepanov retirada daqui

roubado daqui

 

A democracia essa grande mentira mascarada de verdade tornou-se o pior dos regimes autocráticos.

Em nome da democracia tanto se dá migalhas como rendimento mínimo, como se tira salários aos trabalhadores que promovem a riqueza

Tanto se dá vida como se tira, tudo em nome da democracia.

Veja-se a Ucrânia pessoas (manipulados pela extrema direita) na ruas a protestar contra o governo também de direita são massacradas pelos órgãos repressivos.

Por isso votar é sufragar um potencial ditador que nos pode reprimir, matar, roubar o salário, etc, etc.

 

 

 



publicado por uon às 14:16 | link do post

Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2014

A crise na Ucrânia reveste-se de particular interesse para média corporativos do Ocidente.

Estão a dar grande destaque a esta crise enquanto que na Bósnia quase não há noticias.

A multidão que se encontra em KIEV está a ser manipulada pela extrema-direita e direita e pelo ocidente/NATO/CEE que se encontra em luta pelo o poder com o partido das regiões de Yanukovic que detêm neste momento o poder.

É evidente que esta luta já teve algumas vitimas com dezenas de mortos de parte a parte.

A policia tem investido sobre a multidão e os manifestantes encontram-se barricados respondem na mesma moeda com o que tem à mão.

Pena é que os mortos não sirvam para nada sejam e as pessoas andem numa grande cegueira politica atrás da igreja ucraniana e dos políticos que querem ascender ao poder, a dar a vida para nada só por que a CEE lhes está a dar falsas promessas de bem-estar, mas quem está deste lado sabe bem o passa.



publicado por uon às 16:39 | link do post

Notícia destacada

“A imagem mais simbólica e impressionante dos primeiros dias da revolta é a que retrata um edifício governamental a arder em Tuzla, a cidade onde tudo começou, com o graffiti “morte ao nacionalismo” escrito nas suas paredes. Dado que o nacionalismo é há muito o refúgio das elites políticas do país, que o têm utilizado para justificar a opressão política e económica, esta era, de facto, uma mensagem poderosa.” (Mate Kapović, Bósnia a arder: uma rebelião na periferia da Europa)

Os protestos começaram, de facto, em Tuzla, no nordeste do país, uma cidade com uma grande tradição de luta operária, onde o nacionalismo nunca se estabeleceu de forma firme. Os trabalhadores de algumas fábricas privatizadas (como Dita, Polihem e Konjuh) estavam, há muito tempo, a protestar pacificamente por razões relacionadas com as privatizações, em alguns casos contra o próprio encerramento da empresa. A 5 de Fevereiro, a juventude, os desempregados e outras pessoas juntaram-se e o protesto começou rapidamente a escalar. Não se sabe ao certo quem terá iniciado essa escalada, nem tal é, na verdade, muito relevante. No dia seguinte, a revolta já se tinha espalhando, havendo notícias de Tuzla, Sarajevo, Zenica, Mostar e Bihać, algumas das maiores cidades do país, com a grande parte dos confrontos violentos e dos fogos a acontecerem na sexta-feira, dia 7 de Fevereiro.

Tudo cidades com uma forte população muçulmana. Apesar disso, a explosão da revolta teve um carácter social e não nacionalista. É verdade que, como sempre acontece nestes casos, os protestos são extraordinariamente heterogéneos e, no caso, há, por exemplo, informações de participação de claques de futebol. Hoje, os protestos continuam essencialmente em cidades habitadas por muçulmanos, mas há cada vez mais excepções e episódios como o incendiar das sedes dos principais partidos Croata e Muçulmano, em Mostar, que foi levado a cabo tanto por croatas como por muçulmanos. E os protestos alastraram a cidades como Livno e Orašje (predominantemente croatas) e, de forma mais suave, a Prijedor, Banja Luka, Bijeljina e Zvornik (predominantemente sérvias). Nos últimos dias, surgiam notícias de manifestações em cidades da Croácia e da Sérvia. Por outro lado, há informações de contra-manifestações nacionalistas em alguns locais. Apesar de ser uma revolta eminentemente social, o facto é que o nacionalismo ainda é um problema enorme. Um problema alimentado pelas elites e pelos média, principalmente sérvios e croatas, cujas vozes não têm pejo em transmitir teorias da conspiração mirabolantes.

No entanto, a angústia que cerca de 45% de desemprego provoca, a repetição dos cenários de miséria criados pela aplicação das regras económicas ditadas pelos donos do mundo, faz facilmente com que milhares se identifiquem para além da questão nacional e prova que uma faísca que cause uma sublevação está sempre ao virar da esquina, mesmo em povos tidos como dóceis e adormecidos. Muitos manifestantes afirmam que, pura e simplesmente, não têm nada para comer, que estão desempregados há anos. A acrescentar a isto, claro, níveis enormes de corrupção e de desigualdades sociais potenciados pela complexa rede de poder da Bósnia-Herzegovina, uma espécie de protectorado do Ocidente, onde o business as usual nunca repara em consequências que não o afectem.

Ocidente esse que se apressará, como é da etiqueta, a apoiar os direitos democráticos básicos dos cidadãos e, em dias de sorte, a condenar a corrupção dos políticos locais. Apoios condicionais, claro. “Se a situação escalar, teremos, possivelmente que pensar em tropas da UE”, disse Valentin Inzko, Alto representante da Comunidade Internacional na Bósnia, logo a seguir aos protestos de 7 de Fevereiro. E, não menos claro, apoios a uma democracia na condicional, fazendo dos mesmos que provocam as crises os autores das suas soluções, como se depreende das banais palavras de Štefan Füle, o comissário europeu para o alargamento (a Bósnia-Herzegovina pretende entrar na UE e, muito por isso, tem implementado políticas austeritárias e baseadas em privatizações), numa conferência de imprensa dada a 18 de Fevereiro, aquando da sua visita à Bósnia: “se os líderes políticos não ouvirem os manifestantes, não haverá verdadeira mudança”.

Depois dos primeiros dias de revolta mais violenta, os protesto têm continuado de forma mais pacífica. Mas nem por isso menos revolucionária. O resultado tem sido a formação de vários plenários, ou assembleias de democracia directa, onde participam os cidadãos locais. Todos os dias , milhares de pessoas em Tuzla, Mostar, Sarajevo, Travnik, Zenica e outras cidades encontram-se em locais públicos onde, à vez, falam para os outros, criam novas agendas, exigem mudanças.

Com a acalmia dos protestos a ausência de símbolos revolucionários reconhecíveis fez com que a atenção esmorecesse. No entanto, dado potencial revolucionário das assembleias, que são a experiência da finalidade diária da revolução, a que sugere como devemos viver amanhã, não hesito em concordar, com a tradução que encontrei do que aqui se diz: “A Assembleia é um protesto para a produção de possibilidades”.

Alfredo Bom Ano

(Bósnia) “A Assembleia é um protesto para a produção de possibilidades”


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Quarta-feira, 19 de Fevereiro de 2014

Barroso pressiona acordo em Bruxelas para sancionar responsáveis pela violência em Kiev.

As sanções económicas à Ucrânia só vão prejudicial a entrada da mesma na CEE.

Se houver sançoes aqueles que agora são a favor da entrada na CEE, vão-se voltar contra a própria CEE.

A Ucrânia não tem afinidades politicas económicas e culturais com o ocidente.

A Ucrânia teve sob o chapéuu de chuva soviético durante 40 anos e antes e depois a lógica económica e cultural é sempre negocial com os vizinhos mais próximos exemplo disso é Portugal e Espanha. 

Os lideres da CEE querem fazer uma aliança contranatura que é pôr a Ucrânia na CEE.

A CEE não é um bom aliado da Ucrânia, por que é um bloco que está em ebulição politica económica e social cheia de problemas de desemprego.

Neste momento a CEE tem 28 países e mais outros se quem juntar, mas isto é como um balão que vai enchendo até que rebenta.pum.



publicado por uon às 16:52 | link do post

http://www.diarioliberdade.org/mundo/antifascismo-e-anti-racismo/45455-ucr%C3%A2nia-anarquista-ucraniano-dissipa-mitos-que-cercam-os-protestos-do-euromaidan-e-alerta-sobre-a-influ%C3%AAncia-fascista.htmleNTREVISTA COM ANARQUISTA

Na Rádio Asheville FM, baseada no oeste da Carolina do Norte, foi ao ar uma fascinante entrevista com um anarcossindicalista ucraniano chamado Denys, da União do Trabalhador Autônomo. Na entrevista, Denys desmascara muitos dos mitos que cercam os protestos do Euromaidan na Ucrânia, e explica os motivos por trás das estórias e da propaganda que estão circulando em torno dos protestos.

Por que o Acordo de Livre Associação com a UE (que beneficiaria, sobretudo, os ultrarricos oligarcas da Ucrânia) deliberadamente está sendo interpretado como uma integração real? Os líderes ucranianos recuaram da assinatura no último minuto. Enquanto isso, a Rússia está tentando atrair a Ucrânia para sua União Aduaneira oferecendo à Kiev um acordo para uma compra prometida de bilhões de euros de produtos ucranianos e um desconto de 30% do preço do gás natural russo.

Denys explica que quando os protestos começaram a classe política da Ucrânia foi pega de surpresa. No entanto, a oposição, uma coalizão com inclinações para a extrema-direita (com o fascista Svoboda sendo o mais visível de todos eles) rapidamente se reagrupou e transformou a rua em sua máquina de relações públicas. A oposição tinha em seus planos mobilizações massivas, como o líder do fascista. Svoboda declarou numa entrevista em março de 2013. Evidências surgiram de que os líderes da oposição planejam derrubar o atual governo com o apoio financeiro e político da conservadora alemã Angela Merkel , dos líderes de Bruxelas da União Europeia, e com o apoio visível dos Estados Unidos, cujo seu enviado, o conservador John McCain foi a estrela convidada do Euromaidan .

Dois meses depois que começaram, os protestos do Euromaidan principiam a diminuir, apesar de serem fortemente incentivados pelas elites políticas conservadoras e governos da Europa e dos Estados Unidos. Estes protestos foram controlados pelos políticos que tomaram a prefeitura de Kiev [... onde podem ser vistas a neonazista cruz cristã do orgulho branco, orgulhosamente exibida pela oposição em seu "Quartel-General Revolucionário", a Câmara Municipal de Kiev, que ocuparam no início de Dezembro.

É difícil dizer quem está mais desesperado – o governo ou a oposição, mas esta anunciou que iria se concentrar nas próximas eleições presidenciais, previstas para daqui 18 meses, embora não seja muito claro que candidato irão apoiar. O "Pátria", bem como o governante Partido das Regiões, do atual presidente Viktor Yanukovych, procuram esfaquear pelas costas à Vitali Klitschko, provavelmente para abrir espaço para o seu homem, Arseniy Yatseniuk, ou para o líder do Svoboda (Liberdade), Oleh Tyahnybok (ou talvez para Tymoshenko, por cuja libertação da prisão o Ocidente faz enormes pressões).

Klitschko, já promovido pelos líderes conservadores da Europa como seu favorito, anunciou um mês antes do Euromaidan que irá disputar as eleições presidenciais de março 2015.

No entanto, o líder do Svoboda (Liberdade) expôs seus planos para assumir Kiev numa entrevista em março 2013. Um mês após esta ocorreram protestos de rua que não conseguiram exigir eleições antecipadas para prefeito de Kiev, o que teria levado à expulsão de um dos aliados do presidente Viktor Yanukovich de um poderoso posto.

Sete meses mais tarde a oposição usou os protestos de rua contra o governo para ganhar o oder na Ucrânia. Os resultados têm sido muito proveitosos para o partido Svoboda (Liberdade). No dia 1 º de janeiro, o Svoboda liderou uma marcha de mais de 15.000 nacionalistas para comemorar o aniversário do colaborador nazista morto Stepan Bandera.

Klitschko tentou desassociar o Euromaidan da marcha de Bandera, mas isso carece de significado, pois ele se aliou à Tyagnybok e demonstrou a sua vontade de colaborar com o Svoboda. Muitos participantes do Euromaidan expressaram sua desaprovação em relação à marcha de Bandera, mas muitas das mesmas pessoas expressaram seu desejo de não dividir os protestos, o que significa que continuarão de boa vontade a colaborar com os nazistas. Isto permitiu essencialmente ao Svoboda estabelecer a hegemonia entre os participantes do Euromaidan, bem como na capital.

Nesta entrevista, Denys explica quais são os fatos reais e como eles são refletidos num labirinto de espelhos deformados, o qual se deve remover do caminho para se compreender a realidade da vida na Ucrânia, um país onde "as pessoas estão indispostas com o Estado, com o Ministério, com o Tribunal, com os Oligarcas, com os Canalhas e um Parlamento que não presta contas, com todos de uma vez, com as mesmas personalidades de sempre".

A transcrição da entrevista com Denys foi ligeiramente editada a partir da linguagem falada para uma forma escrita, para maior clareza. Você também pode ouvi-la clicando aqui.

Denys: É necessário distinguir entre dois Euromaidans. O primeiro, que ocorreu em 21 de novembro, onde participaram pessoas de classe média que, em sua maioria, queriam a assinatura desse acordo com a União Europeia. No entanto, hoje, dois meses depois, a maioria das pessoas nas ruas está preocupada com questões bem mais práticas, como a brutalidade da polícia, que foi exibida na noite de 1º de dezembro e, geralmente, não estão felizes com o governo e com o presidente. Assim, a integração europeia continua a ser uma questão mais ampla, mas hoje está em segundo lugar.

Quanto aos protestos pró-governo estão em causa: as pessoas que participaram deles foram levadas pelo governo em ônibus para Kiev para o fim de semana. Estes protestos não foram honestos. Muitas pessoas que trabalham para o governo, como professores, médicos e assim por diante, foram informados por seus chefes que eles têm de fazê-lo. Então, era como obrigatório para eles. Eu não diria que isso era um protesto real. Mas, em relação às pessoas que apoiam a União com a Rússia, Bielorrússia e Cazaquistão, sim, existe essa opinião e, como um todo, o país está dividido mais ou menos metade à metade em relação à integração na União Europeia ou à União Aduaneira.

O problema é que a segunda posição não é muito representada nos meios de comunicação de massa, que se inclinam para o outro sentido (pró-UE). E, geralmente, essas pessoas que apoiam a União Aduaneira não têm o hábito de protestar. Elas vivem em cidades menores e, portanto, não são representados na mídia tanto quanto aqueles que vivem na capital.

Também os partidários da União Aduaneira têm líderes políticos muito estúpidos. Por exemplo, a principal força política que organizou esses protestos em favor da União Aduaneira, teve como seu principal ponto de propaganda anti-UE a alegação de que a esta trará o casamento entre as pessoas do mesmo sexo e as coisas não tradicionais que, supostamente, não seriam bem acolhidas pela população ucraniana. Eles até inventaram o termo "euro-sodoma", como em Sodoma e Gomorra.

E a outra força política que apoia a União Aduaneira é o Partido Comunista da Ucrânia, que por muitos anos não tem nada que ver com o comunismo, o seu programa político e sua agenda podem ser melhor descritos como conservadores, como um partido social conservador. Se você o comparasse com a Marie Le Pen, você não iria encontrar muita diferença entre eles.

Rádio Asheville FM: Há em suas palavras e em seu imaginário uma espécie de clamor pelo retorno para a era soviética e por tornar a se juntar com os outros países do Leste Europeu?

Denys: Sim, é claro que eles especulam sobre isso, porque os laços entre as pessoas comuns ainda são muito fortes. Você sabe, muitas pessoas têm parentes na Rússia, para não mencionar as coisas, uma comum cultura de massa. Muitas pessoas veem os canais de televisão russos, o que é muito normal na vida das pessoas comuns em regiões do leste, do sul e central.

As pessoas na região do centro e do sul têm muitas coisas em comum com os russos, em seu estilo de vida, e eles não sentem que são iguais ao povo europeu.

Mas, ao mesmo tempo, uma grande parte da população ucraniana vive agora no exterior, na União Europeia, especialmente na Espanha, Itália, Polônia, República Checa e Portugal. Principalmente pessoas das regiões ocidentais, mas não exclusivamente.

Rádio Asheville FM: Entre os partidários versus os detratores da inclusão na UE eu posso ver uma divisão de acordo com as normas sociais, como você mencionou, então as pessoas que talvez sejam mais liberais socialmente inclinam-se talvez para o Ocidente, com as suas mais progressistas leis e casamentos gays, e do outro lado, na direita, há uma orientação mais conservadora, mais ortodoxa – uma igreja ortodoxa diferente da ortodoxa russa – tenho certeza de que, dependendo de onde você está no país ou em que setor econômico você se insere, você vai fazer mais negócios em geral com o Oriente ou com o Ocidente. Mas, você diria que as duas posições são basicamente mais voltadas para a liberalização da economia e o enfraquecimento dos direitos dos trabalhadores na Ucrânia, ou é uma espécie de vínculo falso para os trabalhadores na Ucrânia?

Denys: Primeiro de tudo, você falou sobre a prevalência de um liberalismo social entre os ucranianos pró-UE. Eu realmente não concordo com isso. Existe essa impressão porque os protestos pró-UE são dirigidos por pessoas educadas de classe média que têm um tipo de agenda mais social liberal.

Mas ainda assim é mais como uma cultura de direita versus uma cultura de direita.

Assim, por exemplo, regularmente as pessoas no Euromaidan rezam juntas publicamente , todos juntos. Então, novamente, sobre a questão do casamento gay : a maioria das pessoas que defendem a integração à UE nunca aceitariam isto.

De fato as questões sociais relativas aos direitos dos trabalhadores não estão absolutamente na agenda. A classe operária, como classe, não participa de maneira nenhuma nestes eventos. Os trabalhadores naturalmente tomam partido, mas eles não são organizados em entidades de classe, como, em sindicatos, como tal, eles simplesmente não participam nestes eventos. E eles têm boas razões para isso, porque ambos os lados apenas tratam de questões culturais, políticas, que não têm qualquer ligação direta com as necessidades de um trabalhador médio.

Os manifestantes que apoiam a UE tem uma visão totalmente falsa sobre a Europa como um paraíso onde tudo está bem, tudo está muito melhor do que na Ucrânia ou que em qualquer outro lugar. É inútil dizer-lhes sobre os protestos no seio da UE e sobre os programas de austeridade. Eles simplesmente não ouvem e dizem: "Ah, então você acha melhor se juntar à Rússia, não é!"

Portanto, esta falsa escolha é avassaladora, e eu acho que o mesmo poderia ser dito sobre o lado oposto. A agenda esquerdista, a agenda dos direitos dos trabalhadores, não está presente em qualquer destas praças onde as pessoas protestam.

Rádio Asheville FM: Isso deve ser uma posição bastante frustrante. Tudo bem, eu acho como um anarquista que isto pode abrir todos os tipos de possibilidades e questões, quando eles dizem: "Bem, você deve ser pró-Rússia, se você é contra isso", pode-se dizer: "Bem, na verdade, há outro caminho". Achas que isto permite um monte de conversas?

Denys: "Não. As pessoas estão muito sobressaltadas, estão muito nervosas. Hoje e talvez em todos os outros dias da última semana, você poderia estar em perigo real, se você começar a dizer algo assim, porque você seria imediatamente considerado um provocador do partido no poder. Na verdade, houve um par desses incidentes no Euromaidan, quando pessoas de diferentes grupos de esquerda estavam tentando fazer exatamente o que você está dizendo, e alguns deles foram espancados muito severamente, outros foram apenas expulsos. Isso ocorre porque as pessoas comuns mostram algum interesse, às vezes, mas o outro problema é que entre os ativistas no Euromaidan, entre a segurança e os responsáveis locais (os organizadores dos protestos), entre os que fazem as coisas, há forte infiltração pelos grupos de extrema-direita que realmente têm suas próprias coisas para dizer para a esquerda. E eles têm a confiança do das pessoas comuns, dos políticos, por isso, se algum nazista novo que conhecemos diz: "Oh, meu Deus, olha, estes são os comunistas, estes são provocadores, eu acho que eles apenas apoiam Yanukovych", ninguém mais ouvirá você. Você seria expulso.

Esta é a histeria em massa na qual eu acho que não é possível fazer muita agitação, mas acho que no próximo ano teremos muito mais possibilidades, porque, dado o estado terrível das finanças públicas da Ucrânia, eu acho que durante nos próximos dois meses os protestos poderiam ser transformados em algo mais próximo de uma agenda social e econômica.

Rádio Asheville FM: Esperamos que sim. Você pode falar um pouco mais sobre o sistema político da Ucrânia? Que espécie de partidos devem nossos ouvintes conhecer para obter uma compreensão básica sobre a dinâmica e quais as posições existentes na Ucrânia sobre a adesão à UE ou à União Aduaneira?

Denys: A política parlamentar ucraniana consiste basicamente em dois grandes partidos políticos. Estes têm agendas sociais, políticas e econômicas bastante idênticas. Ambos podem ser descritos como populistas de centro-direita. Um partido é o Partido das Regiões, que é o partido no poder, e do qual o presidente Yanukovych é o chefe, e o governo é composto pelos membros desse partido. A oposição é composta por um bloco de três partidos da oposição parlamentar, que são basicamente o mesmo, a única diferença é que eles falam ucraniano. Estes partidos de oposição têm sua base eleitoral nas regiões central e ocidental da Ucrânia, enquanto o Partido das Regiões possui sua base mais entre os que falam russo. Estes especulam sobre essas diferenças culturais, uma vez que os seus eleitores vivem nas regiões sul e leste. Estes partidos reúnem talvez 60% dos votos. Também há o partido "comunista" da Ucrânia, sobre o qual eu já falei. E, um dos partidos dessa chamada Oposição Nacional Democrática é o Svoboda, que é traduzido como "liberdade", mas na verdade é um partido de extrema-direita, idêntico aos outros atuais partidos populistas de extrema-direita em outros países europeus. A maioria dos partidos políticos que descrevi apoia a integração na União Europeia, incluindo a maioria dos empresários que apoiam o Partido das Regiões do presidente Yanukovych.

Na verdade, ao longo deste ano, surgiu uma oposição baseada em fundamentos conservadores pró-russos, dentro do Partido das Regiões, mas foi severamente reprimida. O pretenso líder desta oposição, um membro do parlamento, foi expulso do Parlamento sob a justificativa de que ele teria manipulado as eleições no seu círculo eleitoral.

Até o final de novembro tudo apontava que a Ucrânia iria assinar o Acordo de Associação com a UE, porque todo mundo estava interessado nisso.

Então as coisas mudaram rapidamente, tanto quanto podemos entender, quando o presidente e o primeiro-ministro olharam para os números e eles perceberam que não poderiam fazer isso, porque o comércio é com a Rússia e pela situação das finanças públicas – que não tem dinheiro, e que o orçamento está quase vazio e não poderíamos arcar com os prejuízos que seriam provocados pelo referido Acordo de Associação. É óbvio que ninguém leu esse acordo integralmente (até naquele momento), pois (até o momento em que se recuou), o primeiro-ministro e o presidente foram os principais euro-otimistas no país.

Durante a noite eles se tornaram os principais eurocéticos.

Rádio Asheville FM: Era o plano de reestruturação do Fundo Monetário Internacional parte na entrada na União Europeia, ou era uma coisa separada que de repente surgiu quase ao mesmo tempo para o partido de Yanukovych?

Denys: Estas são duas coisas separadas, que estão unidas pelo fato de que o governo ucraniano precisa desesperadamente de dinheiro. Então, eles decidiram pressionar a União Europeia para que ajudassem a Ucrânia a negociar melhores condições de obtenção num empréstimo junto ao FMI.

Isso ocorre porque o FMI exige as mesmas medidas que como costuma fazer a muitos países. Eles impõem condições muito duras, tais como o aumento do preço do gás para a população e a desvalorização da moeda nacional. E o governo se recusou a fazer isso nos últimos anos, e isso seria certamente um suicídio político para qualquer político que tentasse fazer isso agora, quando estamos a apenas um ano das eleições presidenciais.

Rádio Asheville FM: Pelo que entendi o FMI exige um aumento de 40% do preço do gás natural em um país que é muito frio, certo?

Denys: Sim.

Rádio Asheville FM: Isso parece um suicídio político. Eu posso ver isso, com certeza.

Denys: Hoje, a principal força política no panorama da extrema direita na Ucrânia é, inegavelmente, o Svoboda. Se eu tivesse que apresentar alguma comparação, eu os compararia com os outros atuais partidos de extrema direita do leste europeu, como o partido húngaro Jobbik, com o qual eu penso que os ouvintes americanos podem estar cientes. Houve um grande escândalo quando um par de anos atrás eles receberam muitos votos na Hungria. Svoboda é praticamente a mesma coisa, é um partido político que tem seu próprio projeto de uma chamada "constituição nacional", que traria muitas coisas horríveis, como a pena de morte para o que chamam de "atividades anti-ucranianas", sem definições do que seriam essas "atividades". Basicamente, qualquer coisa contrária ao espírito desse partido poderia ser considerado "anti-ucraniano".

Hoje, no Euromaidan, eles estão conclamando a uma greve política, mas, na verdade, o que a maioria das pessoas simplesmente não percebe é que no projeto do Svoboda de nova constituição a greve política seria uma ofensa criminal.

Rádio Asheville FM: É um estado de exceção para eles, eu tenho certeza.

Denys: Sim. O paradoxo é que eles se tornaram extremamente populares entre a classe média liberal educada das áreas urbanas, especialmente em Kiev. Então, hoje Kiev vota Svoboda, como as regiões ocidentais da Ucrânia fazem, porque eles apenas dizem: "Bem, eu não sei qual é o seu programa. Eu não li nada sobre isso, mas eles parecem tão duros, eles são caras legais, e eu tenho certeza que ao menos eles iriam quebrar os pescoços dos corruptos que estão agora no partido governante".

Isto é, naturalmente, uma grande reminiscência das situações históricas em outros países no século 21.

Eu não quero parecer demasiado em pânico, mas há algumas características semelhantes, porque as pessoas burguesas da classe média não veem nada de errado com isto. E, até certo ponto, eles estão certos, porque, se a extrema-direita ganha todo o país, essas pessoas não sentiriam grandes dificuldades em sua vida. As principais dificuldades seriam para a extrema esquerda, contra todos os partidos de esquerda e movimentos , e para as minorias étnicas e para as minorias raciais.

Mas as pessoas normais não sentiriam nada, pelo menos por algum tempo, e esse é o problema.

Igualmente outro fato interessante sobre o Svoboda: eles passaram por uma mudança de marca e agora eles se chamam "liberdade". Esta é uma palavra genérica para a direita europeia, mas até 2005 ou 2004, eles se chamavam Partido Nacional Socialista da Ucrânia. [Nota do transcritor no original: Na verdade, o atual líder do Svoboda disse que todos os ucranianos devem se tornar nazistas].

Rádio Asheville FM: Você tem algo a dizer sobre o partido Assembleia Nacional da Ucrânia?

Denys: Eles não são muito influentes agora. Eles costumavam ser um poderoso partido de extrema-direita nos anos 1990, quando realmente tiveram seus próprios soldados paramilitares, e até mesmo um semi-exército. Seus combatentes participaram na guerra da Chechênia e noutras guerras do Cáucaso e na Transnístria. E, sim, eles foram muito assustadores. Mas, hoje eles são apenas, principalmente, um clube para os nazistas que não gostam do Svoboda.

[...]

Rádio Asheville FM:Para trazê-lo de volta para aos protestos, inicialmente o Euromaidan começou no dia 21 de novembro com 2.000 pessoas que se reuniram e ocuparam a Maidan de Kiev. É a praça da Independência, certo?

Denys: Sim.

Rádio Asheville FM:E, Maidan significa praça?

Denys: Sim.

Rádio Asheville FM: Você pode falar um pouco sobre a Revolução Laranja e as comparações que foram feitas entre os protestos que estão acontecendo agora e a escala desses protestos e talvez a falta de escala nas demandas das pessoas nas ruas?

E podes comparar o EuroMaidan com a revolução laranja?

Denys: Bem, uma coisa que foi proeminente nos acontecimentos da Revolução Laranja foi o foco numa só pessoa.

Todo mundo estava gritando "Yushchenko", o nome do presidenciável e, nesse momento, toda a esquerda estava criticando a revolução laranja por isso, porque não dedicavam atenção a outros problemas vitais, eles só gritavam "Yushchenko" e pensavam que ele era o Messias que iria resolver as coisas.

Mas, hoje eles não têm mesmo isso e ainda não dedicaram nenhuma atenção às questões "do pão e da manteiga". As grandes massas de pessoas têm a ilusão acerca do conto de fadas da Europa, que querem aderir. E ninguém diz nada sobre o verdadeiro conteúdo desse Acordo de Associação com a UE.

Sim, agora eu percebo que a mobilização já é maior do que nos eventos de 2004, por isso, potencialmente, a oposição detém um grande recurso, mas o problema é que eles realmente não sabem como usá-lo.

Podemos ler nas entrevistas dos políticos que participaram da Revolução Laranja como os políticos controlavam a multidão com muito mais força.

Por exemplo, um político recentemente deu uma entrevista e disse: "Você sabe por que naquela época a Euromaidan era totalmente laranja e agora têm diferentes bandeiras de diferentes cores? Bem, isso não é uma coincidência. É apenas porque em todos os dias em 2004 nós trouxemos 300 novas bandeiras laranjas.

Eles controlavam a multidão, deram as bandeiras e fizeram o seu trabalho de organização de forma mais eficiente do que agora. Atualmente, a oposição parlamentar esteve apenas respondendo a uma mobilização espontânea; eles não ordenaram isto e simplesmente não sabiam o que fazer nos primeiros dias. Nesta situação, mais uma vez, o partido mais preparado acabou por ser o Svoboda. Ele é o único partido que tem seus próprios ativistas, que podem fazer coisas no campo. Então, eles obtém atualmente o máximo benefício, como parece agora.

Rádio Asheville FM: Como é que os meios de comunicação na Ucrânia tratam disso como interagiram com o movimento Euromaidan e qual é a estrutura de propriedade dos meios de comunicação na Ucrânia. Que tipo de influências as diferentes estações têm?

Denys: Ah, é uma história muito interessante, pois em 2004, durante a Revolução Laranja, todos os meios de comunicação foram fortemente censurados a esse respeito e todas as pessoas estavam assistindo o Canal 5. Este foi o único canal de TV transmitindo todos estes eventos, porque o seu proprietário era Petro Poroshenko, um político da oposição. Hoje, a estrutura de propriedade não é melhor para a oposição, mas ainda assim todos os principais canais de televisão e, geralmente, todos os principais meios de comunicação, estão cobrindo a história bem de perto. Quando ocorreu a sangrenta repressão, todos os principais canais pertencentes aos oligarcas mais ricos cobriram quase ao vivo, mostrando a polícia de choque batendo em pessoas e dizendo o quão terrível é isso e assim por diante.

Isso mostra que os proprietários dos meios de comunicação não estão realmente felizes com o atual presidente, e esta foi uma grande novidade para a maioria dos ucranianos também. Porque há uma popular crença de que todos os oligarcas estão por trás do atual presidente, mas, como pudemos ver agora recentemente, os consultores empresariais do presidente ucraniano Yanukovich realmente irritaram os magnatas da mídia, que são os proprietários de grande parte do PIB da Ucrânia. Eles não estão muito felizes com a família do presidente fazendo coisas que não deveriam fazer com os seus negócios.



publicado por uon às 15:37 | link do post

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