Quarta-feira, 19 de Abril de 2017

O PESADELO DO FUTURO : 

 

UMA BELA PÁTRIA POPULISTA, SOBERANA E PROTECIONISTA, PARA ACOLHER NOS BRAÇOS O EX-CAPITALISMO GLOBAL DE REGRESSO A CASA

 

1 - O ATALHO DO POPULISMO


O 2016 foi o ano das revoltas populistas. O Brexit, a vitória de Trump, as sondagens favoráveis para a direita xenófoba e racista em toda a  Europa, a onda soberanista, a lógica nacionalista anti-europeia de alguma da dita esquerda esquecida do capitalismo, tudo isso são forças pretendem encontrar no povo a unção para legitimar um governo para as novas pátrias do futuro.

 

Nada disso se mostra suficiente, para transformar as nações humilhadas pelo FMI ou pela política de dívida da UE, em países e povos soberanos.


Voltar a cunhar moeda e a taxas alfandegárias nas fronteiras não protegerá as economias nacionais, hoje sem autonomia, devido à sua grande inserção na economia global; e causaria inflação e repressão salarial cujos efeitos na vida dos trabalhadores não são muito distintos da actual desvalorização interna.


Rejeitar imigrantes, não favorece o santificado crescimento do PIB mas, desenvolve a xenofobia e o espírito do fascismo.


Repatriar as atividades das multinacionais, como pretende Trump, significa importar os salários in primis  e as condições de trabalho degradadas, para vigorarem dentro das fronteiras.


A subordinação aos interesses dos respetivos capitalismos por sindicatos reformistas, continua na Europa e nos países com capitalismo amadurecido, transformando-os, com a concertação, em simples órgãos da burocracia estatal.


2 - MENOS LUCRO,  MENOS GLOBALIZAÇÃO?


Este processo iniciou-se antes da onda populista. Nos últimos cinco anos os lucros das multinacionais caíram 25%. Se há dez anos a quota dos lucros globais das multinacionais era de 35%, hoje é de 30%.

 

A crise financeira e a lógica própria do neoliberalismo para o esmagamento dos rendimentos do trabalho não o desviou da atração de ganhar dinheiro com a bolha especulativa, com a compra e venda de empresas, com os downsizings; o capital tende a concentrar-se na área financeira, sem grandes compromissos com ativos fixos.

 

Devido às baixas taxas de juro, verifica-se um aumento enorme da dívida global - em 2016 era $215 000 000 000, tendo aumentado $ 70 000 000 000 em dez anos. E esse dinheiro fictício é aplicado na compra de títulos e partes de empresas, em dívida pública que vai acorrentar os povos a volumes insustentáveis de impostos, com a intermediação dos governos nacionais e das classes políticas que tentam convencer a população de que, com um esforço mais voltará a vida boa. Há poucos anos falava-se nas diferenças face à China: agora que os salários chineses se equiparam aos gregos ou portugueses, terão os governos a pouca vergonha de falar em belos arco-íris no céu?


Da Alemanha à Indonésia tornaram-se mais rigorosas quanto às regras sobre as compras de empresas locais por multinacionais. Em 2016, a UE e os EUA tiveram duros confrontos sobre quem tinha direito aos US$ 33000 milhões que a Apple e Pfizer pagam anualmente. O que testemunha as maiores rivalidades que se vão criando.


A mensagem de Trump agrada a todos os soberanistas, populistas e protecionistas que pretendem entrar na posse dos valores produzidos pelas multinacionais para financiar as suas políticas patrióticas de fortalecimento e reinvenção de um capitalismo nacional. Este "regresso a casa" das multinacionais, porém, incluirá condições; as mesmas que estiveram na origem da crise das últimas décadas e da atual depressão  económica europeia. Será que vão voltar a casa ou é só um desejo populista de Trump que não se concretizará?


3 - E EM PORTUGAL?


A Democracia: trata-se de uma noção desprovida de significado, considerando a prevalência da lógica do elitismo partidário e a progressiva afirmação de todos os conceitos hierárquicos e autoritários, em prejuízo dos assembleários e da autogestão. Tudo se reduz, portanto, a uma louca corrida tendo como objetivo a validação eleitoral que dá acesso "ao pote" e à transformação do cidadão num mero eleitor-espectador.


A Regionalização: mesmo que conste da Constituição há mais de 40 anos só volta agora aos media como instrumento de propaganda eleitoral. A classe política é avessa a um instrumento de democratização como a regionalização; só a aceitará se permitir aumentar a burocracia e der mais cargos para membros de partidos, como aconteceu com as comunidades intermunicipais ou as áreas metropolitanas.


A Dívida Pública portuguesa: falar no seu pagamento é como indicar um caminho sem destino, dado que na prática, e matematicamente, se apresenta impossível de realizar. Na classe política ninguém fala das muitas parcelas ilegítimas da dívida; e se apresentam como possível uma renegociação isolada, nacional, contra um sistema financeiro global é como um acto de propaganda. Reedição de David contra Golias?

 

A Precariedade laboral: será possível combatê-la sem abolir as empresas de trabalho temporário, que empregam 84000 pessoas? Sem acabar com recibos verdes passados falsos "empresários em nome individual"? Sem considerar como fora da lei os “contratos zero”? A geringonça não dará para tanto…

 

Os Impostos; os seus aumentos recaem sobre o trabalho e vêm servindo para salvar os bancos.

 

A Saúde; mantém-se a privatização disfarçada dos serviços, pagos, de facto, com dinheiro dos impostos.

 

Os Sistemas Judicial e Tributário; são severos com os pobres, utilizam a prescrição para isentar os ricos e os corruptos com tudo embrulhado em enorme burocracia para esse efeito.

 


COMBATER O CAPITALISMO, SEMPRE -  GLOBALIZADO OU DOMÉSTICO


Esta é a principal tarefa dos explorados do mundo inteiro, desde sempre e entre eles, de todos os anarquistas.

 

              

  INICIATIVA LIBERTÁRIA                                                       Lisboa, 25 de Abril de 2017 



publicado por uon às 16:23 | link do post

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