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LIBERDADE E BEM ESTAR

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Grémio:Queixa na Inspecção Geral da Administração Interna

11.05.08, uon

 

Grupo de sócios e amigos do Grémio Lisbonense apresenta queixa à Inspecção Geral da Administração Interna relativamente à carga policial de dia 8 de Fevereiro
 
 
No dia 8 de Fevereiro de 2008, um grupo de sócios e simpatizantes do Grémio Lisbonense reuniu-se à frente do número 226 da rua dos Sapateiros para expressar o seu descontentamento pelo despejo desta instituição. A noite iria acabar com uma carga policial nas escadas e no átrio de entrada para o edifício. A comunicação oficial da PSP recusa ter havido má-conduta por parte dos agentes presentes, afirmando terem sido usados «meios coercivos necessários e adequados». No entanto, um grupo de mais de 30 pessoas presentes durante os acontecimentos coloca em causa esta avaliação, tendo-se juntado e apresentado queixa à Inspecção Geral da Administração Interna.
 
 
Juntamo-nos como um grupo de cidadãos independentes com interesse em que seja apurada a verdade e a responsabilidade sobre os incidentes desse dia. Alguns dos pontos principais da nossa queixa baseiam-se em:
 
1-  uso injustificado da força na recepção aos manifestantes: alguns dos simpatizantes do Grémio foram agredidos com bastonadas ao aproximar-se da entrada da instituição, sem que alguma vez tivesse sido dada ordem de dispersão ou dito que os presentes estariam a incorrer em algum tipo de infracção; nenhum dos amigos e sócios do Grémio Lisbonense se encontrava armado ou constituía ameaça à integridade física dos agentes de autoridade presentes;
 
2- muitos dos agentes no local não se encontravam identificados e recusaram mesmo identificar-se quando, na sequência das agressões, tal lhes foi solicitado pelos presentes;
 
3- a actuação da polícia caracterizou-se por um inqualificável abuso da força e autoridade, tendo sido permanentemente preferido o recurso à força física e à violência perante cidadãos que, mesmo após as agressões por parte dos agentes, mantinham uma atitude apaziguadora, apelando sucessivamente à calma;
 
4- a carga policial foi feita sem pré-aviso, com muitos dos presentes ainda sentados nas escadas. A movimentação dos agentes colocou em causa a integridade física de todos os manifestantes que se encontravam no local. A sua acção foi pautada pela agressão gratuita, visto ter sido em muitos casos dirigida a manifestantes encurralados e aos quais era impedido pela própria polícia abandonar o local.

5- na sequência da acção polícial, vários dos manifestantes ficaram feridos, recorrendo a tratamento hospitalar.
 
Ao entregarmos formalmente a queixa à Inspecção Geral da Administração Interna (IGAI), colocámos à disposição desta provas físicas em defesa dos pontos anteriores, bem como vários testemunhos recolhidos nessa noite.
 
Esperamos que as averiguações ajudem a apurar a verdade sobre os factos, e mesmo a esclarecer algumas das afirmações contraditórias que têm vindo a ser publicitadas. Acreditamos que a acção policial foi desapropriada e perigosa para todos os que se encontravam no local, para além de ter sido pautada por um abuso de força que, infelizmente, tem vindo a ser imagem de marca das nossas forças policiais nos últimos anos, como vários relatórios comprovam.
 
Ignorar os factos ocorridos no dia 8 de Fevereiro pode apenas contribuir para um agravar da situação, dando aval à arbitrariedade e ao abuso da violência por parte das forças de segurança. A Administração Interna deve assumir as suas responsabilidades, evitando que Portugal continue na lista negra dos direitos humanos em vários relatórios internacionais.