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Anarquista Rosa Pazos assassinada

por uon, em 27.07.08

Em 11 de julho passado foi assassinada à punhalada Rosa Pazos, anarquista
sevilhana e ativista transexual. A Federeção Local de Sindicatos de
Sevilha da CNT-AIT e seus companheiro/as querem expressar o seguinte:

Rosa sempre dizia que um dia a matariam, mas ninguém deu atenção a que ela
dizia. Tristemente os fatos acabaram por dar-lhe razão: sabemos pelos
meios de comunicação que foi encontrada morta em sua residência, pelos
bombeiros, no dia 11 de julho passado, e só mais tarde, na autópsia
praticada pelo Instituto Anatômico-Forense, foi revelado que a causa da
morte tinha sido uma punhalada no tórax, onde foram abertas diligências
judiciais e foi decretado o secreto de sumário.

Ao longo de sua vida muito poucas pessoas a aceitaram como tal, nem sequer
a sua família, e muito poucos prestaram atenção no que dizia, mas longe de
se amedrontar sempre enfrentou o rechaço da sociedade por sua triplice
condição de transexual, anarquista e doente.

Rosa foi uma lutadora em toda sua vida, por seu direito a que se
reconhecesse como mulher, por seu direito a uma atenção médica como tal,
por seu direito a integração social e ao trabalho, por seu direito à
liberdade de expressão, por seu direito à intimidade etc. Uma luta
constante e desigual onde sempre se apresentou desde uma perspectiva
libertária, e que a levou a denunciar sistematicamente às instituições e
poderes públicos, cuja burocracia, como em tantas ocasiões, quase sempre
converteu-se em papel molhado todos estes direitos.

Durante anos, suas camisetas, suas faixas, seus atos de protesto, suas
representações contra os tribunais, suas acusações à SAS, à polícia e às
cortes, freqüentemente foram desprezadas, ridicularizadas (e nisto
incluímos o infeliz e transfobico comunicado da agência de notícias EFE em
que dá notícia de sua morte), mas em todas estas manifestações é reveleda
a denúncia da hipocrisia de alguns poderes públicos que sempre olham para
outro lado.

Rosa nunca foi filiada a CNT, sua forma de ser e suas circunstâncias
pessoais a levaram a atuar de forma individual e independente, mas não por
causa disso ela nunca deixou de colaborar com o sindicato e de mostrar sua
solidariedade em todas as lutas que tivemos: de forma discreta, sem chamar
a atenção, quase anônima, apoiou conflitos épicos como as greves do lixo
de Tomares ou a do Guindaste Municipal e contribuiu com seu grãozinho de
areia em todas aquelas lutas sindicais e sociais em que pôde participar.

Desde a Federação Local de Sindicatos de Sevilha da CNT-AIT queremos
tornar público nosso reconhecimento a companheira Rosa Pazos, assim como
expressar nossa mais profunda consternação pela notícia de seu homicídio,
e exigimos às instituições judiciais e policiais o rápido esclarecimento
dos fatos e a imposição das conseqüências penais que correspondem ao
responsável de sua morte.


Companheira anarquista Rosa, nós não esqueceremos nem a você nem a sua
luta. Que a terra te seja leve.


Sevilha, terça-feira, 22 de julho de 2008

Federación Local de Sindicatos de Sevilla, CNT-AIT - Secretaría de Prensa
y Propaganda

Mais infos: http://www.alasbarricadas.org/noticias/?q=node/8161


agência de notícias anarquistas-ana


 

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publicado às 15:34




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