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LIBERDADE E BEM ESTAR

LIBERDADE E BEM ESTAR

Abóboda:Trabalhadores da Multivending exigem pagamento de salários atrasados desde Novembro

07.08.08, uon

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O Mudar de Vida esteve com os trabalhadores da Multivending que cercam as instalações da empresa, situadas na rua Alfredo da Silva, na Abóboda, perto de Cascais. O ramo de actividade da empresa é o chamado “vending”, isto é, coloca máquinas de café e de sandes nos locais de trabalho. Os cerca de 40 trabalhadores estão em luta porque, desde Novembro do ano passado, têm ordenados e subsídios em atraso. A divulgação e o apoio às suas exigências são muito importantes, pois, como salientou um dos trabalhadores que falaram para o MV, “se ficarmos reduzidos à nossa pouca força e ao silêncio, poucas hipóteses teremos”.

MV: Quantos trabalhadores estão nesta situação?Paulo Reis (trabalhador da Multivending): A totalidade, cerca de quarenta trabalhadores.

MV: Que formas de luta encetaram?PR: Pois bem. Como a administração não nos pagava e até desapareceu, nós decidimos ocupar as instalações para evitar que eles transferissem a maquinaria e outros valores para outras instalações.

MV: Falaste em outros valores: que valores são esses?
PR: Sobretudo um cofre com cerca de 20 mil euros. Neste momento o Dr Mário Pinto, um dos administradores, entrou protegido pela Polícia de Intervenção e deve estar a roubar esses 20 mil euros, que bem falta nos faziam.

MV: Se vos fazem falta, e são o fruto do vosso trabalho, porque não ficaram com eles quando ocuparam as instalações?Outro trabalhador: Porque queríamos fazer tudo dentro da lei.

multivending1_reduz.jpgMV: Pois, mas a lei protege os mais fortes e os vigaristas. Mas então o que se passou com a vossa ocupação?
PR: Estivemos três dias e três noites em ocupação e no fim veio a Polícia de Intervenção que nos expulsou com violência.

MV: Quantos trabalhadores é que estavam convosco na ocupação?
PR: Cerca de vinte, os mesmos que estamos agora aqui, no exterior.

MV: Quais são as vossas reivindicações?
PR: Que nos sejam pagos os salários e os subsídios em atraso; assim como as indemnizações a que temos direito. Exigimos que nos seja dada a carta de despedimento para irmos para o Fundo de Desemprego.

MV: Que negociações é que tem havido com a administração?
PR: Nenhumas. Eles desapareceram e nem o nosso advogado consegue falar com eles. Veio agora o Mário Pinto, protegido pela polícia, de certeza para gamar os 20 mil euros.

MV- Esses administradores devem ser chicos-espertos ou arraia miúda do capitalismo…
PR- Qual o quê. O Dr Mário Pinto está ligado à Sonae, e a Drª Isabel Silveira está ligada ao Balsemão, ainda é familiar dele. Existem mais dois administradores, cujo nome não me ocorre agora, que estão ligados ao BES.

MV: Vocês conhecem uma frase daquele escritor francês, o Balzac, que disse que “por trás de uma grande fortuna está sempre um crime”?
Outro trabalhador: Não conhecia, mas neste caso aplica-se às mil maravilhas.

multivending2_reduz.jpgMV: E agora?
PR: Agora, enquanto pudermos vamos ficar aqui a cercar as instalações para evitar o desvio das máquinas. Mas, com a polícia de choque do lado deles, vai ser muito difícil.

Outro trabalhador: Agradecemos ao MV o interesse pela nossa luta. Pedimos que alertem outros órgãos de informação para que a nossa situação seja divulgada. Se ficarmos para aqui reduzidos à nossa pouca força e ao silêncio, poucas hipóteses teremos.

MV: Vamos divulgar a vossa luta no MV net. Contactaremos outros órgãos de informação para que também a divulguem. E ficaremos em contacto convosco para vos apoiarmos e saber a evolução da luta.

 

Entrevista de Manuel Monteiro (jornal Mudar de Vida)