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LIBERDADE E BEM ESTAR

LIBERDADE E BEM ESTAR

CRAS-AIT:A guerra no Cáucaso

13.08.08, uon

Não à nova guerra do Cáucaso!

A erupção de acções militares entre a Geórgia e a Ossétia do Sul ameaça
transformar-se numa guerra de larga escala entre a Geórgia apoiada pelo bloco
da NATO, por um lado, e o Estado Russo, por outro. Milhares de pessoas foram já
mortas e feridas – principalmente habitantes pacíficos –; cidades e
povoações
inteiras foram apagadas do mapa. A sociedade foi inundada por correntes
lamacentas de histeria nacionalista e chauvinista.

Como sempre e onde quer que surjam conflitos entre Estados, não há nem podem
haver justos nesta nova guerra do Cáucaso, existem apenas culpados. Ao longo
dos anos espalharam as brasas que agora acenderam o fogo da guerra. O regime de
Saakashvili na Geórgia mantém dois terços da população num estado de pobreza, e
quanto maior é o descontentamento interno que isto provoca, maior é o seu
desejo de encontrar uma saída deste impasse sob a forma de uma “pequena
guerra
vitoriosa”, na esperança de assim fazer esquecer todos os problemas.

Os governantes da Rússia estão inteiramente determinados em manter a sua
hegemonia sobre o Cáucaso. Hoje assumem a pose de defensores dos fracos, mas a
sua hipocrisia é por demais clara: de facto, Saakashvili apenas repete o que os
soldados de Putin fizeram na Tchetchénia há nove anos. Os círculos dirigentes de
ambas as Ossétias e da Abkházia aspiram a fortalecer o seu papel como aliados
exclusivos da Rússia na região, e ao mesmo tempo unir a população empobrecida
em torno de conceitos já testados como a “ideia nacional” e a
“defesa do povo”.

Os líderes dos EUA, dos Estados europeus e da NATO, pelo contrário, pretendem
enfraquecer tanto quanto possível a influência dos seus rivais russos sobre o
Cáucaso, para poderem assegurar o seu controlo sobre os recursos combustíveis
da região e o seu transporte. Assim, tornamo-nos testemunhas e vítimas do
próximo ciclo do conflito mundial por poder, petróleo e gás.

Este conflito não traz nada mais à população trabalhadora – Georgianos,
Ossetas,
Abkhazes ou Russos –, excepto sangue e lágrimas, desastres incalculáveis e
privações. Expressamos a nossa profunda simpatia aos amigos e familiares das
vítimas, às pessoas que ficaram sem um telhado sobre as suas cabeças e sem
meios de subsistência como resultado desta guerra.

Não nos devemos deixar cair sob a influência da demagogia nacionalista que exige
a unidade com o “nosso” governo, levantando a bandeira da
“protecção da terra
natal”. Os inimigos principais das pessoas simples não são os seus irmãos e
irmãs pobres do outro lado da fronteira ou doutra nacionalidade. Os seus
inimigos são os governantes e patrões de todos os tipos, presidentes e
ministros, homens de negócios e generais, aqueles que geram as guerras para
poderem multiplicar o seu poder e riqueza. Apelamos à população trabalhadora na
Rússia, nas Ossétias, na Abkházia e na Geórgia para que rejeite o isco do
nacionalismo e patriotismo e vire a sua raiva contra os governantes e os ricos
de ambos os lados da fronteira.

Soldados russos, georgianos, ossetas e abkhazes:
Não obedeçam às ordens dos vossos comandantes! Virem as vossas armas contra
aqueles que vos enviaram para a guerra! Não disparem contra os soldados
“inimigos” – confraternizem com eles, a baioneta cravada no chão!

Trabalhadores na retaguarda:
Sabotem os esforços militares, participem em reuniões e manifestações contra a
guerra, organizem-se e declarem a greve contra a guerra!

Não à guerra e aos seus organizadores – governantes e ricos! Sim à
solidariedade
dos trabalhadores acima das fronteiras e das linhas de frente!


Federação dos Trabalhadores da Educação, Ciência e Técnicos – CRAS-AIT
(Confederação de Revolucionários Anarco-Sindicalistas, Secção Russa da AIT)