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LIBERDADE E BEM ESTAR

LIBERDADE E BEM ESTAR

Guimarães:trabalhadores da Fidar expulsos pela GNR

21.08.08, uon

(JN)

 

Os ex-trabalhadores da Fidar foram obrigados, pela GNR de Guimarães, a abandonar o pátio interior da fábrica, por estarem a ocupar propriedade privada, encontrando-se agora na rua à porta das instalações.

"Puseram-nos cá fora e agora estamos ao portão, à espera", atira uma das trabalhadoras despedidas da Fidar, enquanto aguarda o passar das horas para mudar de turno e poder regressar a casa, para ali voltar no dia seguinte. Cento e cinquenta trabalhadores foram despedidos no início do mês, mas só um terço aceitou o acordo de rescisão proposto pela Administração da empresa. Perto de uma centena permanecia desde então no pátio interior das instalações fabris, na tentativa de preservar intacto o património da fábrica, na esperança de poderem receber os respectivos direitos.

Ontem, um dos administradores chamou a GNR para executar o "despejo" dos ex-operários que desde há quinze dias ocupavam propriedade privada.

A operação decorreu "de forma pacífica e ordeira", informou fonte da GNR, mas não demoveu os trabalhadores dos seus propósitos.

"Não podemos ficar lá dentro, mas ficamos cá fora. E ficaremos até o tribunal nos der garantias de que não há perigo de ficarmos sem o que é nosso", garantiu, ao JN, uma das trabalhadores.

A entrada de quatro elementos da GNR nas instalações aconteceu cerca das 15:30 horas e a presença das autoridades manteve-se até às 17.10h, decorrendo sem quaisquer incidentes.

"Os trabalhadores saíram sem ser necessário recorrer à força. Fomos mediadores, chamamos o representante legal para conversar com os trabalhadores e houve bastante diálogo. Os trabalhadores perceberam que estavam a incorrer num crime e retiraram-se", disse fonte da GNR, alheia ao diferendo cível que opõe as duas partes.

A Administração informou os trabalhadores do envio das cartas de despedimento, no passado dia 1, dia em que as máquinas pararam. Os funcionários começaram a ser notificados das respectivas rescisões no passado dia 4 e dois dias depois deu entrada um pedido de insolvência da empresa, já aceite pelo Tribunal Judicial de Guimarães, requerido por um grupo de trabalhadores.

A empresa vinha a apresentar sinais de dificuldades, com reduções de encomendas, e o seu encerramento não provocou grande surpresa entre os trabalhadores.

A empresa tinha previsto fechar para férias a 9 de Agosto, mas acabou por encerrar mais cedo, com os subsídios de férias por pagar, segundo os operários. Desde o dia que em que foram comunicados os despedimentos, os trabalhadores já não arredaram pé das instalações fabris.

 

Comentário:

 

Mais uma vez aconteceu, como tem acontecido em outros empresas, desta vez foi na Fidar, em Guimarães, os trabalhadores estavam no pátio da fábrica para reclamar os seus direitos e o patrão chamou a GNR para expulsar os trabalhadores, que estavam a ocupar "propriedade privada" veja-se.Os trabalhadores despedidos não ofereceram resitência e foram postos na rua e ainda são considerados criminosos, enquanto que o patrão é  "boa" pessoa.Agora encontra-se no exterior da empresa para não deixar sair o material e máquinas para ver se levam o que têm direito. É assim que funciona a (in)justiça em Portugal.