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LIBERDADE E BEM ESTAR

LIBERDADE E BEM ESTAR

Santo Tirso:Operários da Camac em greve

02.09.08, uon

(JN)

 

A única fábrica nacional de pneus está parada. Com quatro meses de salários em atraso, os 290 trabalhadores da CNB-Camac estão em greve até receber os ordenados. Cerca de 130 suspenderam o contrato de trabalho.

Será esta a forma possível de, a curto prazo e através do subsídio de desemprego, os operários da empresa situada em Areias, no concelho de Santo Tirso, obterem algum dinheiro. Os restantes recorrem à greve desde o passado dia 29. A paralisação regista uma adesão de 100%, como garantiu Ribeiro dos Santos, da comissão sindical. "A produção está completamente parada", sublinha o responsável.

O sindicalista alerta, ainda, para a possibilidade dos 160 grevistas virem a recorrer, tal como os colegas, à suspensão dos contratos. "Não tenho dúvidas de que vai haver mais suspensões", sentencia. "Quem suporta estar quatro ou cinco meses sem salário, sendo os vencimentos tão baixos? É muito delicado", sustenta Ribeiro dos Santos.

Joaquim Carneiro, há 32 anos na Camac, avançou ontem para a suspensão. "Ninguém resiste com quatro meses de salários em atraso. Não é possível viver", admite.

A ameaça de paralisação pairava há algum tempo sobre a empresa, mas adensou-se no mês passado. Então, os funcionários começaram a suspender contratos face a dois meses sem salários.

No regresso de férias, e ainda sem os ordenados nas mãos, optaram pela greve, o que dificultará a recuperação da fábrica com graves problemas financeiros. Aliás, a Camac já esteve parada por diversas vezes, nos meses de Julho e Agosto passados, por falta de matéria-prima.

A Administração da empresa accionou um procedimento extrajudicial de conciliação (PEC), com vista à viabilização da unidade, a partir de um acordo com os credores: alguns fornecedores e os 290 funcionários que cederam 25% dos seus créditos, revelou o sindicato ao JN. Porém, os operários não têm como continuar sem receber até à activação do fundo de garantia salarial. Por outro lado, não existem certezas de que a Camac consiga solucionar a situação a curto prazo, contraindo um empréstimo, adianta Ribeiro dos Santos. "Estamos quase no limite", avalia. "Se adiantassem já um mês de trabalho, alguns trabalhadores que vão meter a suspensão poderiam recuar. Mas não se vê nada", lamenta o sindicalista.

Todavia, "é previsível que [os administradores] venham a apresentar a insolvência com um plano de recuperação", conclui. O JN procurou, sem êxito, ouvir a Administração da Camac.