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LIBERDADE E BEM ESTAR

LIBERDADE E BEM ESTAR

Porto:Fábrica de cortumes em greve por salários em atraso

17.09.08, uon

(JN)

 

Trabalhadores em greve da empresa de curtumes Carneiro, Ribas e Sousa, no Porto, mantiveram-se até esta terça-feira à porta da fábrica exigindo pagamentos em atraso. Esta quarta-feira voltam ao trabalho, mas ameaçam com nova greve.

A maioria dos cerca de 80 operários da antiga fábrica Nova Empresa Industrial de Curtumes do Porto, no Amial, esteve em greve anteontem até à meia-noite de ontem para reclamar o pagamento de um quarto do salário do mês de Agosto e metade do subsídio de férias.

De acordo com o delegado sindical Rui Martins, do Sindicato de Curtumes do Porto, a situação da empresa vem-se mostrando irregular no que respeita aos pagamentos. "Até agora, o incumprimento de salários nunca tinha acontecido. O que se passa desde há dois anos é que nos vão pagando de forma faseada", esclarece.

As exigências dos trabalhadores vêm, porém, subindo de tom, já que entendem que a Administração "lhes está a faltar à verdade". Falam num consecutivo adiamento dos prazos de pagamento, o que os deixa inquietos.

Gustavo Noval, funcionário da casa há 23 anos, afirma ainda que, "com a anterior Administração, nunca se tinham vivido problemas deste género."

A empresa de curtumes, actualmente denominada Carneiro, Ribas e Sousa, tem 72 trabalhadores e passou, há cerca de quatro anos, por um processo de negociação. A presente Administração justifica o atraso nos pagamentos alegando "dificuldades em reunir fundos necessários para pagar os salários na actual conjuntura" que está a viver.

Em declarações ao JN, Luísa Sousa, um dos elementos da Administração, explica que o período de férias é "financeiramente exigente porque não se factura tanto". Para além de uma quebra de encomendas e da conjuntura mais alargada, aponta a falta de investimento e a ausência de apoios financeiros como os principais causadores desta situação.

A solução pode passar por uma deslocalização das instalações da empresa. "Temos planos de viabilização em curso, que não dependem só de nós, e ainda a intenção de nos deslocalizar, que é outra coisa que aflige os trabalhadores", comenta. No que respeita ao pagamento dos vencimentos em atraso, garante que as conversações com os trabalhadores se mantêm, devendo ser efectuados mal se reúnam as condições, e admite liquidar "uma parte ainda durante esta semana."

Os funcionários já marcaram novo plenário para amanhã, onde deverão decidir que medidas tomar, caso os pagamentos não se verifiquem. Adiantam, no entanto, que a greve é a opção mais viável e que virão a repeti-la se necessário.