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LIBERDADE E BEM ESTAR

LIBERDADE E BEM ESTAR

EUA:A crise do Capitalismo e o subprime

03.10.08, uon


 

 

www.luta-social.org
 

CRISE DA ECONOMIA AMERICANA, O SUBPRIME...
Explicada da forma mais didáctica

Paul comprou um apartamento, no começo dos anos 90, por 300.000 dólares financiado em 30 anos. Em 2006 o apartamento do Paul passou a valer 1,1 milhão de dólares. Nessa altura, um banco perguntou ao Paul se ele não queria uma quantia em dinheiro emprestada, algo como 800.000 dólares, dando o seu apartamento como garantia. Ele aceitou o empréstimo, fez uma nova hipoteca e recebeu os 800.000 dólares. Com os 800.000 dólares. Paul, vendo que imóveis não paravam de valorizar, comprou 3 casas em construção dando como entrada algo como 400.000 dólares. Com a diferença (400.000 dólares que Paul recebera do banco) ele fez o seguinte: comprou carro novo (alemão) para ele, deu um carro (japonês) para cada filho e com o resto do dinheiro comprou tv de plasma de 63 polegadas, 43 notebooks, 1634 cuecas. Tudo financiado, tudo a crédito. A esposa do Paul, sentindo-se rica, passou a usar o cartão de crédito à vontade. Em Agosto de 2007 começaram a correr boatos que os preços dos imóveis estavam a cair. O preço das casas para as quais Paul tinha dado entrada e que estavam em construção caíu vertiginosamente... O negócio era refinanciar a própria casa, usar o dinheiro para comprar outras casas e revender com lucro. Fácil....parecia fácil. Só que todo o mundo teve a mesma idéia ao mesmo tempo. As taxas de juro que o Paul pagava começaram a subir (as taxas eram pós-fixadas) e o Paul percebeu que o seu investimento em imóveis se transformara num desastre. Milhões tiveram a mesma ideia do Paul. Havia casas para vender como nunca. Paul foi aguentando as prestações da sua casa refinanciada, mais as das 3 casas que comprou - como milhões de compatriotas, para revender - mais as prestações dos carros, as das cuecas, dos notebooks, da tv de plasma e do cartão de crédito. Então as casas que o Paul comprou para revender ficaram prontas e ele tinha que pagar uma grande parcela do empréstimo. Só que neste momento Paul achava que já teria revendido as 3 casas mas, ou não havia compradores ou os que havia só pagariam um preço muito mais baixo do que aquele que o Paul havia pago. Paul ficou enervado. Começou a não pagar aos bancos as hipotecas da casa onde ele morava e das 3 casas que ele havia comprado como investimento. Os bancos ficaram sem receber de milhões de especuladores iguais a Paul. Paul optou pela sobrevivência da família e tentou renegociar com os bancos mas estes não quiseram acordo. Paul entregou aos bancos as 3 casas que comprou como investimento, perdendo tudo o que tinha investido. Paul ficou falido. Ele e a sua família pararam o consumo... Milhões de Pauls deixaram de pagar aos bancos os empréstimos que haviam feito com base nos preços dos imóveis. Os bancos haviam transformado os empréstimos de milhões de Pauls em títulos negociáveis. Esses títulos passaram a ser negociados com valor facial. Com a falta de pagamento dos Pauls, esses títulos começaram a não valer um tostão. Biliões e biliões em títulos passaram a nada valer e esses títulos estavam espalhados por todo o mercado, principalmente nos bancos americanos, mas também em bancos europeus e asiáticos. Os imóveis eram as garantias dos empréstimos, mas esses empréstimos foram feitos baseados num preço de mercado desses imóveis... preço esse que caíra vertiginosamente. Um empréstimo feito para um imóvel avaliado em 500.000 dólares de repente passou a valer 300.000 dólares e mesmo pelos 300.000 não havia compradores. Os preços dos imóveis eram uma bolha, um ciclo que não se sustentava, como os esquemas de pirâmide, especulação pura. A falta de pagamento dos milhões de Pauls atingiu fortemente os bancos americanos que perderam centenas de biliões de dólares. A festa do crédito fácil havia acabado. Com a falta de pagamento dos milhões de Pauls, os bancos pararam de emprestar com medo de não receber. Os Pauls pararam de consumir porque não tinham crédito. Mesmo quem não devia dinheiro não conseguia crédito nos bancos e quem tinha crédito não queria dinheiro emprestado. O medo de perder o emprego fez a economia travar. Recessão é sentimento, é medo. Mesmo quem pode, pára de consumir. O FED começou a trabalhar de forma árdua, reduzindo fortemente as taxas de juros e as taxas de empréstimo interbancários. O FED também começou a injectar biliões de dólares no mercado, provendo liquidez. O governo Bush lançou um plano de ajuda à economia sob a forma de devolução de parte do imposto de rendimento pago, visando incrementar o consumo, porém essas acções levam meses para surtir efeitos práticos. Essas acções foram correctas e até agora não é possível afirmar que os EUA estão tecnicamente em recessão. O FED trabalhava. O mercado ficava atento e as famílias esperançosas. Até que na semana passada o impensável aconteceu. O pior pesadelo para uma economia aconteceu: a crise bancária, pessoas com contas bancárias correndo para levantar assuas economias, boataria geral, pânico. Um dos grandes bancos da América, o Bear Stearns, amanheceu, na segunda feira última, falido, insolvente. No domingo o FED, de forma inédita, fez um empréstimo ao Bear, apoiado pelo JP Morgan Chase, para que o banco não falisse. Depois disso o Bear foi vendido para o JP Morgan por 2 dólares por ação. Há um ano elas valiam 160 dólares. Durante esta semana dezenas de boatos voltaram a acontecer sobre falência de bancos. Desta vez seria o Lehman Brothers, um banco gigante. O mercado e as pessoas seguem sem saber o que nos espera na próxima segunda-feira. O que começou com o Paul hoje afecta o mundo inteiro. A coisa pode estar apenas no início. Só o tempo dirá.



E hoje, dia 15 de Setembro/2008, o Lehman Brothers pediu falência, desempregando mais de 26 mil pessoas e provocando uma queda de mais de 500 (quinhentos ) pontos no Indice Dow Jones, que mede o valor ponderado das acções das 30 maiores empresas negociadas na Bolsa de Valores de Nova Iorque - a maior queda em um único dia, desde a crise de 1929 ...O dia de hoje, certamente, será lembrado para sempre na historia do capitalismo.