[Irlanda] Anarquismo em Ação: o WSM faz 25 anos

O WSM (Movimento Solidário dos Trabalhadores) está cumprindo 25 anos neste outono. Faz um quarto de século que o/as anarquistas da Irlanda se uniram para estabelecer uma organização que promovesse e lutasse por nossas idéias.

Qual é o nosso objetivo? Bem, falando claramente, queremos mudar o mundo, para que possamos viver em uma sociedade regida de acordo com os princípios de democracia participativa, igualdade real e total liberdade para todos os homens e mulheres. Em outras palavras, queremos construir uma sociedade sem classes, que não haja aqueles poucos que dão ordens e uma grande maioria que as recebe ? isto é o que significa Anarquia.

Dizem para nós que este é um objetivo nobre, mas que não funcionaria. Não concordamos. No último século o movimento dos trabalhadores esteve próximo de alcançá-lo várias vezes. Um bom exemplo foi na Espanha republicana durante a guerra civil (1936-1939), embora haja outros.

Como alcançar uma sociedade anarquista? Como ela chegará a ser possível? Isto está completamente ligado a como lutamos nas questões que nos afetam. E isto sempre tem sido a força do movimento. Nosso movimento está formado por pessoas como você, afetadas e indignadas pelos mesmos problemas. O que desejamos é: organizar-nos para ganhar.

Na Irlanda, há vinte e cinco anos atrás, era difícil encontrar informações sobre anarquismo, e mais ainda se reunir com outro/as anarquistas. A esquerda neste momento estava dominada pelos reformistas do Partido dos Trabalhadores e por aqueles que abraçavam a idéia de que a União Soviética era o tipo de sociedade que devíamos criar! Sim, tem razão, como era estranho aquele tempo. Diante deste beco sem saída, o WSM surgiu rompendo com tudo.

Rechaçamos a idéia de que o socialismo tenha alguma coisa a ver com cortar as liberdades das pessoas, como claramente passou na velha União Soviética. Sentimos a necessidade de compreender que havia uma tradição mais ampla de rebelião e socialismo na Irlanda. Esta é a tradição libertária ou anarquista ? um movimento da classe trabalhadora que marcha para a individualidade, a diversidade e a livre expressão, ao mesmo tempo em que luta por mudanças.

Desde a fundação do movimento socialista sempre nos opomos à idéia de que a mudança viria de uma minoria. Queremos democracia, mas a Dáil (Câmara de Representantes) ou a Stormont não tem nada a ver com democracia, onde se elegem uns poucos governantes para governar a todos. Por isso você nunca irá encontrar anarquistas participando nessas eleições.

Como anarquistas, o WSM defende que a melhor forma para ganhar qualquer luta é através de nosso próprio poder, por meio da ?ação direta?. No que isto consiste? Bem, a ação direta é a fé na força do coletivo e se agirmos juntos o suficiente, poderemos trazer a mudança necessária.

Um bom exemplo de ação direta no qual o WSM esteve diretamente envolvido foi a abolição do Imposto sobre a Água na região de Dublin. Isto foi o que fizemos entre todos e o conselho municipal ficou impotente. Ganhamos!

Quando o WSM foi fundado, tínhamos somente uma associação em Dublin e outra que estava começando em Cork. Éramos poucos, decididos, mas poucos. Agora, hoje, existem três associações do WSM em Dublin, uma associação em Cork (a segunda está para surgir), outra em Belfast ? e esperamos ter outra em Limerick no final do ano.

Há membros e aderentes por todo o país, em Sligo, Derry, Buncrana, Drogheda, Dundalk, Wexford, Tralee, Forhill e Killarney, entre outros lugares. Parece justo assinalar que há poucas lutas de classe, que acontecem nesta ilha, nas quais não estamos envolvidos de alguma forma. Este é um grande passo à frente ? um grande avanço.

Uma grande conquista para nós tem sido nosso jornal ? Este que você está lendo! A produção subiu de 1.000 para 10.000 unidades. Poderia ser um jornal melhor e maior, mas tudo isso é questão de tempo e recursos.

Além do jornal ?Workers Solidarity?, o WSM tem produzido centenas de folhetos diferentes, revistas e cartazes durante todos esses anos. Avança com o tempo também, agora temos uma grande presença na Internet ? ver www.wsm.ie.

No começo éramos cinco sócios ? sim, cinco ? e agora somos em mais de sessenta. A afiliação significa estar de acordo com o conjunto geral de idéias que defendemos; e estar de acordo também sobre um plano de ação para difundir o anarquismo e dar uma pequena quantidade de dinheiro para apoiar o funcionamento do WSM.

Organizamo-nos de maneira democrática e duas vezes ao ano nos reunimos numa conferência para decidir sobre nossas políticas e prioridades. Ao passar dos anos estas prioridades nos levou a comprometermos com uma série de campanhas importantes. Temos lutado em nossos sindicatos contra o colaboracionismo com os patrões; temos feito campanhas pelo direito ao divórcio e ao aborto; envolvemo-nos na luta contra o racismo e o sectarismo.

Seria errôneo afirmar que tem sido um caminho de rosas chegar até aqui. Quando o WSM se formou em 1984, não percebemos o quão ruim a recessão seria ? a emigração era galopante e o ânimo estava baixo. Na Irlanda tivemos que lidar com o pacto social e a imposição constante de um sistema sindical que fomenta a passividade. Continuamos, apesar dos difíceis tempos passados.

Durante este primeiro quarto de século, tem sido crucial o fato de estarmos sempre confiantes em nossas idéias ? não somente do nosso objetivo final, mas também, e de igual importância, da pertinência de nossos métodos. Por vezes em nosso ativismo, ganhamos o apoio e o respeito porque estamos dispostos a permanecer ao lado das pessoas em sua luta. E assim deve ser.

Aos 25 anos o WSM segue tendo claro seu objetivo. Temos a intenção de ser parte do movimento que está fazendo a revolução. O que pretendemos fazer agora é levar adiante os seguintes passos: nos tornar maiores e mais fortes. Conseguir isto não depende somente de nós. Mais do que tudo precisamos da tua ajuda: você pode pensar numa maneira de se envolver, refletir sobre a possibilidade de lutar conosco. Temos um mundo novo em nossos corações.

Tradução > Marcelo Yokoi