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Com o intuito de protestar contra a crescente visibilidade da
extrema-direita e a sua componente racista e xenófoba, contra a cada vez
maior exploração capitalista, contra a precariedade social imposta pelo
capitalismo, contra o crescente totalitarismo democrático, pela liberdade,
solidariedade e dignidade humana, por um mundo sem fronteiras uma
plataforma de grupos e indivíduos de várias tendências anti autoritárias,
anarquistas, anti capitalistas e antifascistas convocou para o dia 25 de
Abril pelas 18:00H na praça da figueira uma manifestação anti autoritária.

A manifestação reuniu cerca de 400 pessoas que percorreram o Rossio, a Rua
do Carmo e a Rua Garrett até ao Largo de Camões num ambiente contestatário
mas festivo e sem incidentes. Muitos transeuntes aplaudiram e aderiram à
manifestação. Após um breve período em que a manifestação permaneceu no
largo Camões esta continuou espontaneamente pela Rua Garrett em direcção
ao Rossio.

A meio da Rua do Carmo, duas hordas de elementos do corpo de intervenção
da PSP encurralaram os manifestantes na rua fechando as saídas e sem
qualquer ordem ou aviso de dispersão começaram a agredir brutal e
indiscriminadamente manifestantes, transeuntes e até mesmo turistas.Com
isto a polícia não tentou dispersar ninguém, mas por outro lado quis
bater, espancar e atacar os manifestantes. Pessoas que caíram no chão
indefesas foram ainda agredidas por vários polícias à bastonada e ao
pontapé. Aqueles que tentaram fugir foram perseguidas por toda a baixa e
muitos transeuntes e lojistas somaram-se aos manifestantes no fundo da Rua
do Carmo em protesto contra a brutalidade policial. As únicas agressões à
polícia foram em legítima defesa, que é um direito ao qual não
renunciamos.

Foram detidas doze pessoas de forma bastante violenta e é impossível
contabilizar todos os feridos entre manifestantes e pessoas alheias ao
protesto. Foi mobilizado um aparato policial desmedido (dezenas de
carrinhas do corpo de intervenção da PSP com certamente mais de uma
centena de elementos) que impôs o terror na baixa de Lisboa por várias
horas
Um grupo de indivíduos que se queria juntar à manifestação e que tinha
ficado para trás foi cercado e escoltado até ao cais do sodré
(possivelmente pela sua cor de pele).

Os detidos foram levados para a esquadra da 1ª divisão da PSP na Rua Gomes
Freire onde foi negada qualquer informação aos seus amigos e durante muito
tempo foi impedida a entrada aos advogados. Houve uma tentativa de levar
os detidos a constituírem-se arguidos sem a presença dos advogados o que é
ilegal. Em solidariedade com os detidos cerca de 50 pessoas
concentraram-se em frente à esquadra aguardando a sua transferência para
os calabouços do comando da PSP de Lisboa. Mesmo em frente à esquadra a
polícia continuou com o abuso de poder e expulsou as pessoas aos empurrões
impedindo que estas pudessem continuar a demonstrar a sua solidariedade

O que tem vindo a ser noticiado nos variados órgãos de comunicação social
está repleto de incoerências e desvios daquilo que realmente aconteceu na
baixa de Lisboa. Nomeadamente, a confusão com outras manifestações, a
aceitação da versão policial dos acontecimentos e a necessidade de
caracterizar como ilegal uma característica natural das pessoas que é o
ajuntamento e a manifestação, que a democracia diz defender. Num período
em que foram muitos os ajuntamentos, manifestações, acções e encontros
este era também um protesto de repúdio aos tempos que se vivem e aos
ataques constantes do poder às pessoas.

Caricatamente é no dia 25 de Abril que a polícia defende cartazes de
partidos fascistas e ataca manifestações antifascistas.
Num momento em que já se sabia que os cravos estão murchos todos estes
acontecimentos servem para o reconfirmar.


Plataforma antiautoritária contra o fascismo e o capitalismo.

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publicado às 10:46


1 comentário

Sem imagem de perfil

De Anónimo a 24.04.2008 às 00:20

Por mais que concorde. Quem é que organiza essa manifestação? porque é que a organização nao é aberta? e porque é que combatem violencia e odio de forma tb tao agressiva. é contra pruducente, assusta as pessoas e nao as convence

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