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LIBERDADE E BEM ESTAR

LIBERDADE E BEM ESTAR

E isto foi há 140 anos.

25.10.11, uon
Olá,
 
Caros amigos, compreendo a vossa posição ao proporem a redução do salário e a abolição das mordomias dos políticos. Propõem-se avançar com uma moralização da política profissional. O pior é que a política profissional tal como existe, na sua prática real e não nas etéreas discursatas dos seus defensores, é das actividades mais imorais que se podem conceber, é inerente à sua própria existência.
 
 
O conúbio entre o capital e o poder político é uma evidência que tem os seus fundamentos nas necessidades do negócios, do lucro, do business que comanda o mundo. A mercadorização de todas as actividades humanas e da própria existência, em que o principal atributo de cada um é constituído pela solvabilidade, impõe semelhante tacanhez. Não esqueçamos que já na Atenas clássica, o reclamado berço da democracia, havia 20.000 democratas que tudos decidiam, 20.000 mulheres que a tudo obedeciam e 160.000 escravos que tudo faziam.
 
E a responsabilidade não é apenas nem principalmente dos políticos A, B, C e de todo o abcedário, a responsabilidade é da sociedade no seu conjunto, isto é, de todos nós, que permitimos a existência de semelhante organização social, em que se impõe como primazia a obtenção do lucro, com a secundarização da satisfação das necessidades e realidades humanas.
 
Em meu entender é preciso ser mais exigente na reivindicação. Não basta pedir um salário??? de apenas??? 25 vezes o salario mínimo e a abolição das mordomias dos cargos políticos, coloquemos as reivindicações num outro patamar, qualitativamente diferente.
 
Há 140 anos, ocorreu a Comuna de Paris e, numa época já tão distante, os activistas dessa revolução levaram à prática coisas como um salário dos dirigentes nunca superior ao de um operário, a  prestação de contas periódicamente por parte dos dirigentes, a demissão desses dirigentes a qualquer momento no caso de não desempenharem correctamante a sua função e outras medidas ainda, relacionadas com a realidade social e política. Como a laicidade real da Comuna e a instituição da escola pública, grátis e para todos.
 
E isto foi há 140 anos. Na actualidade não devemos ir mais além?
 
Um abraço,
José Luis