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LIBERDADE E BEM ESTAR

LIBERDADE E BEM ESTAR

Biografia de José Júlio da Costa

25.06.12, uon

 

 

 

 

 

 

Os pais, também de Garvão, eram Eduardo Brito Júlio e Maria Gertrudes da Costa Júlio, e era casado com Maria do Rosário Pereira Costa de quem não houve filhos.

Era o segundo filho de sete irmãos, um dos quais, “Senhor Celestino da Costa”, como era conhecido, era esposo da professora D. Ilda, e foi o primeiro presidente da Junta de Freguesia de Garvão depois do 25 de Abril.
José Júlio da Costa, assentou praça ,no exército, como voluntário, aos 16 anos em 21 de Maio de 1910.

Combateu na Rotunda, pela implantação da República, nos dias 4 e 5 de Outubro desse ano. Ofereceu-se como voluntário paraTimor, Moçambique e Angola, onde recebeu um louvor em 27 de Dezembrode 1914.

Deixou o exército a 11 de Abril de1916 com o posto de Segundo Sargento. Pela Grande Guerra, (1914/18), ofereceu-se como voluntário para combater a Alemanha, o que não conseguiu.

José Júlio da Costa, nas entrevistas que deu, antes da sua morte, mostra claramente o seu descontentamento generalizado com a política seguida por Sidónio Pais, a quem acusa de traição aos ideais da revolução Republicana de 1910, por ser adepto da Alemanha e de alinhar ao lado dos Monárquicos e Clero, inimigos da República.

De facto, Sidónio Pais governou em ditadura, pela política que implementou. Pode-se afirmar que foi o percursor de regime fascista nascido a 28 de Maio de 1926, que levou Salazar ao poder.

Sidónio Pais, sublevou as instituições democráticas nascidas com a revolução republicana e fez-se “coroar” presidente à revelia do Congresso e da Constituição Portuguesa.

No seu breve ano de governação foi suficientemente demonstrativo do cariz fascisante da sua política ditatorial. Liquidou o sistema parlamentar democrático, impôs a censura à Imprensa, centralizou os poderes, criou a polícia preventiva, rearmou a polícia pública, empregou uma enorme demagogia nos seus discursos políticos, transferiu para Lisboa as unidades militares da sua confiança, atulhou as prisões com milhares de adversários republicanos; num ano de governação passaram pelas prisões de África e do país cerca de 20 mil pessoas.

José Júlio da Costa acusa também Sidónio Pais de ter abandonado, à sua sorte, o Corpo Expedicionário Português que combatia nas Flandres em França, na Grande Guerra de 1914-18, provocando a morte a cerca de 3000 soldados, sargentos e oficiais.

Tudo isto reforçou a convicção em abater Sidónio Pais, já ciente na sua mente, depois da traição perpetuada nos trabalhadores rurais do Vale de Santiago, facto que viria a consumar no dia 14 de Dezembro de 1918, na Estação do Rossio em Lisboa, com 25 anos de idade.

Depois de ter morto Sidónio Pais, José Júlio da Costa, foi preso e brutalmente agredido, logo ali no local, e levado posteriormente para a Escola de Guerra onde sofreu novos suplícios no seu corpo já ensanguentado.

Preso, José Júlio da Costa sofreu todo o tipo de agressões, incluindo disparos, a meio da noite, para dentro da cela.

Os seus próprios familiares,sem terem nada a ver com o caso, foram molestados pelas autoridades, inclusivamente a sua mãe e a sua esposa, Rosária Pereira Neves Costa, foram presas nos calabouços do governo civil, onde ficaram incomunicáveis (Jornal “O SÉCULO”página 3 de 18 de Dezembro de 1918).

Ainda hoje, algumas pessoas da vila falam de tal, e ainda se lembram do estado que a D. Maria Gestrudes chegava à vila depois de ir ver o filho a Lisboa.

A mãe, antes de morrer, só pediu uma coisa: que levasse consigo o retrato do filho quando fosse enterrada.
José Júlio da Costa morreu a 16 de Março de 1946, no Hospital psiquiátrico Miguel Bombarda, em Lisboa, com 52 anos de idade, com a razão toldada por 28 anos de prisão sem nunca ter sido julgado, completamente esquecido nas prisões do regime.

http://www.garvao.net/jjc.html

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