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Legenda: A árvore sêca e mirrada, corta-se e lança-se ao fogo. O sol da Redempção fecundará a semente nova… (ilustração do jornal “A Comuna”, de 1/5/1920)

Amanhã,  1º de Maio, muitos anarquistas, mais uma vez, vão sair à rua por todo o país, em manifestações próprias ou juntando-se a manifestações convocadas por outros colectivos ou por outras associações de trabalhadores. Seja como for, este é um dia de luta e de afirmação revolucionária, em homenagem também aos anarquistas mortos em Chicago às mãos do Estado. Nos últimos anos, Setúbal tem sido o ponto de concentração, neste dia,  para muitos libertários e anti-autoritários fazendo da cidade do Sado, no 1º de Maio, um espaço de luta e de combate ao capitalismo. Também este ano sê-lo-á, por certo. Mas seja onde quer que estejamos o importante é manifestarmos a nossa indignação e mostrarmos que é possível outra sociedade mais justa e igualitária.

Os últimos dados económicos, o chumbo  pelo Tribunal Constitucional de alguns medidas que constavam do Orçamento de Estado e a sua substituição por cortes nos diversos sectores, mas sobretudo na Educação, Saúde e Apoios Sociais fazem prever um acentuar das dificuldades económicos dos mais pobres que, ao fim de muitos meses seguidos a apertarem os cintos e com cortes sucessivos nos seus rendimentos, se encontram totalmente debilitados economicamente e sem alternativas a não ser a de se manterem actuantes, organizados e firmes na resistência à ofensiva conjunta do Estado e do patronato.

A austeridade tem levado a um crescendo no desemprego e na precariedade que atinge já a generalidade dos trabalhadores portugueses . O desemprego real ultrapassa já os 20 por cento e o número de desempregados, sem qualquer apoio social, não pára de aumentar.

Enquanto este drama alastra a grandes sectores da sociedade portuguesa, os partidos políticos mantém-se entretidos com as eleições autárquicas, previstas para depois do Verão, divulgando candidatos e programas que são sempre mais do mesmo – uma perfeita inutilidade, na sua grande maioria, trocando as aspirações populares de bem estar e felicidade por lugares a troco de favores políticos, corrupção e nepotismo.

Se isso não bastasse, os partidos da esquerda do sistema, o PCP e BE e alguns sectores do PS parecem possuídos de uma maleita e  a única solução que vêm para a “crise” é a demissão do governo e a convocação de eleições. Enredados nesta jiga-joga eleitoralista, num discurso bloqueado e sem saída, PCP, BE e alguns movimentos a eles ligados, como o Que se Lixe a Troika, fazem o jogo do PS que já se apressa para voltar ao poder – seja agora, ou em 2015, quando estão previstas as próximas eleições para o Parlamento.

Apesar do pouco peso eleitoral de que dispõem na sociedade, PCP e BE, mas sobretudo os comunistas , enredados num discurso patrioteiro e nacionalista, com poucas diferenças do discurso da extrema-direita quanto à defesa da “independência nacional”, mantêm ainda zonas de influência importantes no  movimento sindical, paralisando-o e esgotando a sua capacidade de luta em pequenos arremedos, como o são as manifestações constantes sem objectivo, só para  mostrarem que estão “vivos”, e as greves de um dia ou algumas horas,  que apenas desgastam os trabalhadores e não lhes trazem qualquer tipo de vantagem.

Perante este cenário – e sendo o movimento libertário e anti-autoritário ainda minoritário em Portugal – urge concentrar esforços na criação de  espaços onde a luta seja mais radicalizada, criativa e onde se possam obter ganhos visíveis: criar comités contra os despejos; avançar com ocupações seja de espaços colectivos ou individuais; incentivar greves selvagens e actos sucessivos de desobediência civil; etc..

Só ousando novas formas de luta e mostrando que através da acção directa, da autogestão das lutas e do apoio-mútuo é possível vencer, poderemos criar as condições para voltar a pôr o anarco-sindicalismo  e a organização anarquista dos trabalhadores na ordem do dia.

Por um 1º de Maio libertário e emancipador!

Não às manifestações de faz de conta !

R.T (Colectivo Libertário de Évora)

 

http://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2013/04/30/por-um-1o-de-maio-de-luta-e-combate/

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publicado às 15:58




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