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LIBERDADE E BEM ESTAR

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[Argentina] Papa Bergoglio: Não somos teus filhos!

01.04.15, uon

argentina-papa-bergoglio-nao-som-1Na sexta-feira, 13 de março, completam dois anos de Jorge Bergoglio como Papa [(a) “Francisco I”] e o começo de uma restauração católica na região, animada por todo o espectro político (ver La Oveja Negra # 7 boletinlaovejanegra.blogspot.com). Como se a Igreja já não fosse influente, o novo chefe despertou um novo interesse por essa ideologia da morte que é o catolicismo e renovou o patriotismo latino-americano de perfil futebolístico.

Escutado em todas as suas idiotices, cada uma delas se converte em um novo mandamento tanto para progressistas como para conservadores. Em princípio questionado por sua atuação na última ditadura, sua ascensão se coroou, em novembro passado, com o pedido de perdão de Estela de Carlotto por haver “difamado” sua figura. O holograma que se criou em torno dele é tão grande que faz ver o que não existe, mesmo quando a realidade é tão pesada como uma pedra, como sucede com a religião. E todos abaixam a cabeça dizendo: amém.

Duas de suas últimas declarações o pintam de corpo inteiro. Em fevereiro chamou à humanidade a ter filhos e condenou como depressivas aquelas sociedades que não têm uma maternidade elevada. Chamou-os também, irresponsáveis e exclamou:

“(…) não ter filho é uma escolha egoísta. A vida rejuvenesce e adquire energias que se multiplicam: se enriquece, não se empobrece.” Agregando: “uma sociedade de filhos que não honram a seus pais é uma sociedade sem honra (…) quando não se honra aos pais se perde a própria honra.”

E faz umas semanas: “Eu penso que ao México o diabo castiga com muita bronca. Creio que o diabo não perdoa ao México que Ela [a Virgem de Guadalupe] haja mostrado ali a seu Filho. Interpretação minha. Ou seja, México é privilegiado no martírio, por haver reconhecido, defendido, a sua Mãe.” Submissão e mais submissão. Essa é a mensagem. Já sabemos para que quer o Papa que tenhamos filhos. Para que eles, como nós, passem o resto de suas vidas como mão de obra da engrenagem capitalista, aceitado com água benta, enriquecendo a vida dos burgueses. E para que, no pior dos casos, alimentem sua pedofilia. E quando o Estado e o Capital nos metralhe, nos faça desaparecer e nos reprima, a culpa será do diabo.

O “mundo melhor” de que fala “Francisco” é o da paz capitalista, o da imobilidade dos explorados, a bucólica paisagem da conformidade, de sua paternidade eterna sobre nós. Parece mentira que estas polêmicas sigam existindo e que a Igreja nos diga o que fazer e o que não fazer com nossas vidas! Não em vão eles se auto-intitulam como pais e os crentes como filhos!

Não estamos contra a Igreja por uma mera posição racionalista, argumento fácil graças a seu fabulário tão incrível. A religião é um dos pilares da dominação capitalista e por isso lutamos contra ela. Não nos interessa ser bons cidadãos ateus e argumentar academicamente por que deus é uma farsa. Essa farsa não é produto de uma simples escolha individual de crenças, é a farsa mais material que existe, que tem levado a vida de milhões de proletários ao longo de sua história, haja democracia ou ditadura. Por isso é nossa inimiga.

A ideologia da culpa, o pecado e o sofrimento inculcada pela Igreja, o monopólio do conhecimento dominado pelo Estado e o Capital e a sexualidade alienada imposta por e para o tráfico de mercadorias, têm minado nosso gozo e saúde sexual e reprodutiva, nossa capacidade criativa para relacionar-nos e discutir por fora e contra os interesses burgueses.

Nossos filhos, as mulheres e homens do futuro, e não só os imediatos senão também aqueles que não conheceremos no tempo e no espaço, devem viver em um mundo livre do trabalho, da destruição da terra e, obviamente, sem Papas nem Igreja. Esse é nosso esforço.

Fonte: La Oveja Negra # 26, março 2015.

Tradução > Sol de Abril

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