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LIBERDADE E BEM ESTAR

LIBERDADE E BEM ESTAR

Em Portugal o tempo (não) parou

27.02.14, uon

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Um pouco por todo o mundo veem-se os velhos modelos do capitalismo entrar em colapso. De crise em crise, até à derrota final.

Da Ucrânia, o segundo maior país europeu, à Bósnia, do Brasil à Venezuela, dos Estados Unidos à Turquia, da França à Grécia, de Espanha às capitais do Norte de África os tempos são de indignação e de revolta. Por todo o lado milhares de jovens, estudantes e trabalhadores, ocupam as ruas e tacteiam novos modelos. Nada está seguro: por todo o lado, apenas, um breve conjunto de palavras de ordem: – todo o poder às Assembleias, autogestão económica, democracia directa e reconstrução do sistema representativo a partir do zero.

A velha sociedade, desde sempre apoiada pelos grupúsculos autoritários do faz de conta marxista, agita-se e contorce-se sabendo iminente o colapso. Tenta resistir e passar a ideia de que o tempo corre a seu favor. É mentira. Na enxurrada, que tudo leva à sua frente, a força da torrente levará consigo toda esta sociedade autoritária e todos os seus porta-vozes.

É um outro mundo que está a nascer das cinzas do capitalismo (seja qual a forma que tenha adoptado – de comércio “livre” ou de capitalismo de estado) e que, por certo, vai levar ainda anos a estar consolidado e que terá muitos combates pela frente, mas que parece já irreversível.

Em Portugal, entretanto, parece que o tempo parou. O movimento sindical, controlado e gerador de fundos para a velha esquerda monopolizada pelo PCP, tenta a todo o custo que essa fonte de rendimento e de apoio lhe não falte. Sem o movimento sindical, que tomou de assalto em conjunto com o regime fascista ao anarco-sindicalismo, o PCP hoje seria mais um pequeno Bloco de Esquerda, inútil e onanista. Assim, ainda resiste e aprisiona o movimento sindical.

Construir outras possibilidades de intervenção – que estão aí, já na rua e que a periferia de Portugal relativamente ao continente europeu apenas atrasa, mas não impede – colocando o PCP e o seu movimento sindical, lado a lado com as outras estruturas do capital, como o CDS, PSD ou PS no caixote de lixo da história, é uma prioridade.

Sem partidos, com todo o poder às Assembleias, sem dirigentes nem dirigidos, todos a uma só voz, múltipla e abrangente, saberemos estar de acordo com os tempos que correm: os da construção de outro mundo, horizontal, autogestionário, sem amos nem lacaios de qualquer espécie. Um mundo verdadeiramente novo, sem exploração nem opressão. Um mundo igualitário, de homens e mulheres livres.

António (via email)