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LIBERDADE E BEM ESTAR

LIBERDADE E BEM ESTAR

Sobre o relatório de (in)segurança interna

02.04.14, uon

anónimo

Do rio que tudo arrasta, se diz que é violento. Mas ninguém chama violentas às margens que o comprimemBertolt Brecht

 

http://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2014/04/02/anarquistas-e-autonomos-a-proposito-do-relatorio-de-seguranca-interna-2013/#more-5507

Foi ontem apresentado, com pompa e circunstância, o chamado Relatório Anual de Segurança Interna 2013, elaborado pelo chamado Sistema de Segurança Interna, que reúne tudo o que são corpos de polícia e de segurança do Estado. Do relatório cada um tirará o que quiser, segundo a sua área de interesse. Mas pelo que se refere à presença anarquista e anticapitalista em Portugal verifica-se que o trabalho de pesquisa feito retoma apenas o velho clichê de anarquismo como sinónimo de violência.

 

No que aos anarquistas diz respeito, constamos de um parágrafo deste relatório de mais de 400 páginas. Escreve-se neste documento policial:

Capturar1

Em jeito de resposta deixo aqui alguns considerandos:

1) É estranho que um relatório sobre acções violentas e actuações radicais não refira as medidas extremistas que têm sido levadas a cabo pelo governo de Passos Coelho (como outros anteriormente) e que têm significado para muitos milhares de portugueses pobreza, desemprego, despejos, sofrimento e, muitas vezes, morte;

2) É também estranho que neste relatório, referindo-se às “forças extremistas”, não se fale da actuação dos corpos armados do Estado, que na última década mataram mais de cinquenta cidadãos e foram responsáveis pela agressão e violência contra milhares de outros;

3)É igualmente de notar o facto do relatório estabelecer, sem margem para dúvidas, que anti-capitalistas, autónomos e anarquistas são sinónimos de “violentos”, o que, logo à partida, é uma completa falsidade que apenas visa, mais uma vez, tentar criminalizar os movimentos de protesto social mais radicais e menos integráveis no sistema;

4)Não deixa de ser curioso que o “establishment” policial considere que, no panorama social português, anti-capitalistas são os autónomos (não cingidos a qualquer partido) e os anarquistas,  únicos com capacidade para  ”infiltrarem os movimentos de contestação e criarem focos de insurreição”  – e não qualquer uma das estruturas ditas de esquerda que se afirmam contra o capitalismo (partidos de esquerda ou sindicatos), mas que se limitam a ser a “esquerda” do sistema, sem a mínima capacidade de contestação ou transformação social;

5)Por último, – uma vez não é regra – esta fauna policial acerta no alvo. É verdade que, por enquanto, “anticapitalistas e anarquistas continuam a não ter capacidade de concretizar os seus objectivos revolucionários”. De facto,  é por isso que batalhamos. E se já tivessemos essa capacidade outro galo cantaria e outro seria o teor do vosso “relatório”, bem mais nutrido do que agora, não é verdade?

m.a.r.