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LIBERDADE E BEM ESTAR

LIBERDADE E BEM ESTAR

Sobre os atentados em Paris

10.01.15, uon
  • Gozar com o papa ou com os sionistas não tem importância porque estão do lado "bom" do Mediterrâneo ou até protegidos por ele; e para além disso, não provêm dali milhões de miseráveis à procura de trabalho.
  • Fiéis à doutrina de Huntington (o choque de civilizações), os ocidentais têm-se entretido a bombardear, a invadir, a dividir, a promover golpes de estado, a assassinar, a financiar assassinos como a al-Qaeda e o Estado Islâmico e a vender armas aos milhões para a região. É conhecido o desagrado do Cameron com a queda em desgraça de Kadhafi, a quem se preparava para vender armas.
  • A lista dessas intervenções, só para referir os últimos 10 anos é enorme; Afeganistão, Iraque, Síria, Bahrein, Egipto, Yémen, Líbia, Somália, Mali, Argélia, Palestina, Sudão, Paquistão, Sahara Ocidental, Palestina, Líbano
  • Daí sobeja o controlo do petróleo, vital para a Ásia Oriental e a Índia, milhões de refugiados, de mortos, de emigrantes para a Europa, que são humilhados, explorados, segregados, quando não se afogam antes de chegarem a Lampedusa. Muitos europeus, filhos de imigrantes dos anos 60 e 70 não escapam ao anátema de terem nomes e peles reveladoras da sua ascendência; e acumulam-se, no desemprego e na inanição nos subúrbios pobres de Paris ou Lyon. E ainda ouvem os gritos guerreiros de um Hollande desdentado e esganiçado a apelar por uma intervenção militar na Síria onde a França colonial deixou um rasto pouco meritório.
  • A besta fascista em França, particularmente, relaciona o desemprego e a criminalidade com africanos e árabes; que roubam empregos e bens aos franceses de “souche”. O neoliberalismo fica isentado e tudo se torna resolúvel com um regresso à pureza étnica, aos “nossos” valores (Le Pen, Farage, Wilders) como se fosse possível beneficiar do trabalho barato de imigrantes deixando as suas culturas e crenças na fronteira.
  • Segregando, criminalizando, diminuindo outras culturas, sobretudo quando associadas a camadas sociais pobres só se acentua o isolamento identitário e a criação de ghetos. E eles não gostam de ver nos media o ar superior de quem relata os feitos dos ocidentais em “terras do Islão”, eventuais ofensas e piadas sobre isso, sobre os seus costumes, as suas crenças. E se alguns, veteranos do Estado Islâmico ou bando de facínoras do género, inflamados por algum íman fanático que prega à jihad e lhes garante sete virgens em caso de morte, temos o caldo entornado

Publicações sobre a geopolítica no Mediterrâneo nestas ligações

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